Lichinga, todos os dias tem algo diferente aqui

Estamos Lichinga
Esse é o escritório da Estamos, em Lichinga. Foto: Lucila Runnacles

Para chegar ao escritório da Estamos, a ONG onde estou fazendo um voluntariado aqui em Lichinga, tenho um trajeto de 20 minutos de caminhada ou 10 de bicicleta.

Curto muito esse passeio matinal porque passo por uma longa e movimentada avenida, que vem de outras vilas e chega até o centro da cidade. Essa rua, que também é uma estrada, reúne ao longo do trajeto centenas de pessoas que vão parando e abrindo o seu postinho de venda, que muitas vezes nada mais é do que um pedaço de pano estendido no chão.

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É muito curioso ver as pessoas comprando galinhas vivas. Foto: Lucila Runnacles

Vejo homens que vendem galinhas vivas, mulheres que levam seus bolinhos fritos para aqueles que saíram de casa sem matabichar (tomar café da manhã), senhores que exibem enxadas, crianças de uniforme a caminho da escola, garotos que oferecem sacos de carvão (aqui nem todos têm fogão a gás nas casas, é muito comum que as pessoas ainda cozinhem com carvão), também vejo mulheres que carregam bacias e trouxas na cabeça de um lado para o outro. O caminho é realmente uma feira ao ar livre.

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Vendedores de cartões de celular é o que mais tem. Foto: Lucila Runnacles

É muito curioso ver como esse comércio na beira da estrada contrasta com a modernidade do serviço oferecido pelos vendedores de crédito para celular, do outro lado rua. Os da Vodacom vestem colete vermelho, e os da Mcel, amarelo. Por enquanto, há três companhias de celular em Moçambique.

Muita gente vem de longe para comprar o cartãozinho com o código que tem que raspar e digitar no telefone para conseguir o crédito. Essa ainda é a única maneira de recarregar os celulares aqui, para quem não tem contrato. Aliás, essa foi uma das coisas que mais me chamou a atenção quando cheguei aqui; o número de pessoas com celulares é muito grande. Até mesmo em áreas pobres, rurais e afastadas, tá lá todo mundo com seu aparelho na mão.

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Este é o caminho que fazia para ir e voltar da Estamos. Foto: Lucila Runnacles

Eu gosto desse trajeto matinal que faço para chegar ao trabalho. Meus olhos não se cansam de esquadrinhar todas as cenas que se passam na minha frente. E por mais que todos os dias eu faça o mesmo caminho em linha reta, sempre tem algo diferente para observar, apreciar e aprender.

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