Museu do Apartheid, uma visita que mexe com os sentidos

apartheid museum

Depois da Cidade do Cabo, meu último destino antes de voltar foi Joanesburgo ou Joburg, como é chamada carinhosamente pelos locais. A maioria dos voos internacionais chega no aeroporto de Joanesburgo, e antes de conhecer outras cidades sul-africanas vale conhecer essa que é a porta de entrada do país.

A África do sul tem três capitais; a administrativa que fica em Pretória, a legislativa está na Cidade do Cabo e a judiciária fica em Bloemfontein. E só para esclarecer, porque eu fiquei um pouco confusa quando cheguei lá, a província de Gauteng engloba Pretória e Joanesburgo.

Alguns amigos tinham me dito que a Joanesburgo era muito perigosa e que deveria tomar bastante cuidado. Como qualquer cidade grande do mundo, é sempre bom redobrar os cuidados, mas eu não senti medo e não tive nenhum problema durante os três dias que passei lá.

apartheid museum

Um dos lugares mais visitados de Joburg é sem dúvida o moderno Museu do Apartheid. A triste e estúpida história da segregação racial é contada ali de uma forma muito didática e interativa. Logo na entrada podemos sentir na pele o peso que tinha naquela época ser branco ou negro. Quando compramos a entrada, no ingresso está escrito por qual porta você deve entrar.

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Lá dentro, dá pra sentir o peso desse regime com mais força ainda. Vídeos, fotos, documentos, jornais e objetos mostram como o apartheid segregou a população sul-africana e injustiçou milhares de negros e mestiços. Também aprendi que apartheid, em africâner, significa vidas separadas.

apartheid museum

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O museu é extenso e tem muita coisa para ver. Eu fiquei lá dentro uma duas horas, e acho que esse é o tempo mínimo para sair dali com uma boa ideia.

Do lado de fora tinha uma exposição sobre Nelson Mandela, uma das pessoas que mais lutou pelo fim do apartheid. Gostei muito de conhecer um pouco mais sobre essa grande personalidade. Nesse jardim, os visitantes podem escolher uma varinha com a cor que corresponde a alguma das frases do ex-presiente, e coloca-la nesse pequeno arranjo colorido. Eu me identifiquei com estas:
“A primeira coisa é ser honesto com você mesmo. Você nunca pode ter um impacto na sociedade se você mesmo não tiver mudado.”
“Eu apoiarei meu amigo mesmo que ele tenha sido abandonado pelo mundo inteiro.”

apartheid museum

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Muita gente me perguntou se eu senti que o apartheid ainda está presente na África do Sul. Para ser bem sincera, ainda não consigo ter uma opinião sobre o assunto, porque acho que não passei tempo suficiente no país para perceber isso. Lembro que perguntei ao taxista que me levou até o museu sobre a situação, e ele me disse que hoje em dia está bem melhor, mas que ainda sente que há uma discriminação com os negros. Aliás, ele mencionou que existe até mesmo um racismo entre a própria população negra, entre as diversas tribos do país.

Esse regime opressor começou em 1948 e só terminou em 2 de fevereiro de 1990. Nove dias depois, Mandela foi libertado, depois de ter ficado preso por 27 anos.

Acho que a visita ao Museu do Apartheid é uma lição para que todos vejamos do que é capaz a estupidez humana. O meu desejo é que dessa maneira, possamos diminuir qualquer forma de preconceito no futuro.

apartheid museum

Serviço: O Apartheid Museum abre de terça a domingo, das 9h às 17h. O museu fica ao lado do Golden Reef, que tem um parque de diversões e uma antiga mina, onde as pessoas podem fazer um tour por dentro dela. O museu fica no bairro de Soweto. Do centro são uns 20 minutos de carro.

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6 Comments

  • Olá, tudo bem? Você fez esta viagem sozinha? Como é a questão da segurança em Joanesburgo, principalmente para mulheres?

    • Oi Elisa. Sim, eu fui pra África sozinha. Primeiro fiz um voluntariado de quase 5 meses em Moçambique e depois viajei pela Tanzânia, Quênia e África do Sul. Em todos esses países não tive problema algum. Lembro que qdo cheguei a Johnanesburgo o porteiro do hotel disse que era tranquilo, desde que eu tomasse as devidas precauções de cidade grande, e não voltasse pro hotel depois das 18h e foi o que eu fiz. Como fiquei hospedada no centro, que não é o melhor lugar para se hospedar, segui as suas instruções à risca e não tive nenhum problema.

  • Esse museu foi um “soco na cara”! É impressionante conhecer a realidade cruel que o povo sul-africano viveu há tão pouco tempo, lembrando que o fim do apartheid foi há pouco mais de 20 anos. Joanesburgo foi um dos lugares que mais mexeu comigo.

  • El Museo del Apartheid es uno de los mejores museos que visité en mi vida viajera. Sin dudas… estremece, lleva a las lágrimas!! Pero vale la pena para conocer un poco de la historia de África y de ese ser inmenso que fue Mandela!!

    • Sí, Pablo, es realmente un lugar que te hace pensar y sufrir a la vez. Fuerte la historia y más fuerte aún es que siga existiendo racismo en el mundo hoy en día. Abrazos!!

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