Volta ao mundo – Fernanda

voltaaomundo

Quem nunca sonhou em largar tudo, pegar uma mochila e sair viajando por aí? Abandonar a zona de conforto e partir para uma grande aventura?

Pegar um tal de ano sabático e mandar a rotina pro inferno? Ainda bem que tem gente corajosa que deixou de sonhar com isso e carimbou o passaporte em 10, 20, 30 países diferentes!!

O “Volta ao mundo em 12 blogs” é a nova seção do Mochila Cult, que conta as aventuras de 12 blogueiros que já fizeram a doce loucura de dar a volta ao mundo. A ideia é pegar as melhores dicas com eles e saber como foi todo o processo, compartilhando suas experiências aqui. As perguntas vão ser diferentes para cada um, assim a gente pode aprender mais como cada viajante.

A curitibana Fernanda Souza, do blog Preciso Viajar, é a segunda convidada desta série. Em 2001, ela vendeu o carro, juntou muita informação e decidiu que era hora de dar uma volta ao mundo. Durante 11 meses ela passou por 20 países e ficou um tempo trabalhando na Austrália.

A blogueira viajou sozinha, acompanhada de uma mochila que pesava só 15kg. “Vivendo a vida normal a gente se apega a coisas que não têm muita importância, e na estrada você percebe que estar com a unha feita ou o cabelo arrumado não faz a menor diferença. Na estrada você realmente pode ser o que você quiser, não precisa de nenhum tipo de maquiagem. É mais importante ser do que ter”, diz. Ela conta isso e muito mais aqui neste segundo guest post da série “Volta ao mundo em 12 blogs”.

fernanda

Como você se preparou para essa viagem? Como foi a ordem do check list?

Na verdade, a volta ao mundo era um sonho antigo, mas na minha cabeça precisava ser muito rico para realizar esse sonho. Até que em 2010, eu conheci a Pam (uma americana) na Tailândia e ela me contou que estava fazendo uma volta ao mundo com U$15.000. No começo achei que era piada, mas quando voltei para o Brasil comecei a pesquisar e vi que era mesmo possível gastar o valor de um carro popular numa volta ao mundo e aí o projeto começou a sair do papel.

Eu já estava bastante insatisfeita com meu trabalho e com minha vida de maneira geral, então fiquei praticamente um ano pensando em como fazer essa viagem. O mais difícil foi tomar a decisão em relação ao emprego, deixar para trás a ambição profissional. O resto (vender o carro, pesquisar a passagem e os destinos) foi bem tranquilo.

O que você mais ouviu de amigos e parentes; está louca, vai deixar o emprego? Um ano viajando, como assim? Você sim é que é feliz, né?

Ouvi tudo isso, principalmente a parte do você é louca e nunca mais vai arranjar um emprego como o que você tinha. De fato não arranjei, mas ao mesmo tempo aquele emprego (ou qualquer outro) não poderia me pagar tudo que vivi no melhor ano da minha vida. Porque foi exatamente isso que meu ano sabático foi; o melhor ano da minha vida.

Nunca me incomodei muito com a opinião dos outros, porque quem paga minhas contas sou eu. Considero a opinião de poucas pessoas (da minha mãe, por exemplo) e ela sempre me deu um apoio para a realização desse sonho. Acho que ela foi uma das poucas pessoas que não me chamou de louca.

A Fernanda ficou uns meses trabalhando na Austrália
A Fernanda ficou uns meses trabalhando na Austrália

Que países você visitou, que lugar gostou mais e por que?

Eu visitei 20 países e parei uns meses na Austrália para trabalhar. Morar na Austrália também era um sonho antigo e eu consegui um visto de trabalho temporário chamado Working Holiday Visa porque também tenho cidadania italiana.

Foram poucos os lugares que não gostei na volta ao mundo, então é até um pouco injusto escoher os que mais gostei, mas os que têm lugar especial no meu coração são Nova Zelândia, Camboja e China. Eu já conhecia a Tailândia e acabei voltando mais 4 vezes durante a volta ao mundo, mas isso é amor antigo.

Lake Matheson, Nova Zelândia. Um dos países que ela mais gostou
Lake Matheson, Nova Zelândia. Um dos países que ela mais gostou

Você viajou sozinha? Sentiu alguma dificuldade por ser mulher? Passou por algum aperto?

Viajei sozinha. Senti dificuldade no Oriente Médio, inclusive sofri um episódio bem traumático no Líbano que foi responsável pelo fim da minha volta ao mundo. A Fernanda conta sobre esse perrengue neste post.

Depois do Líbano, eu ainda iria para Turquia e Grécia, mas cancelei essa parte da viagem e acabei passando quase um mês em Londres na casa de uma amiga. A única coisa boa desse episódio ruim é que tive bastante tempo para ficar na cidade que mais amo no mundo (Londres) e ainda pude conhecer a Escócia.

Olha, me considero uma pessoa corajosa, mas aprendi com meus erros. Infelizmente certos lugares do mundo não são seguros para uma mulher viajar sozinha. Eu não recomendaria viagens pelo Oriente Médio ou para países muçulmanos sem a companhia de um homem. Talvez só nos Emirados Árabes, pois lá é bem tranquilo.

Jump around, Muralha da China
Jump around, Muralha da China

O que você acha que poderia ter feito melhor. Se hoje você fizesse uma segunda volta ao mundo, o que faria diferente?

Me arrependo de ter parado na Austrália para trabalhar. Até porque tudo que eu ganhei, eu gastei lá mesmo. A Austrália é um país caríssimo.

Se eu fizesse uma nova volta ao mundo, focaria nas regiões que eu não fui na primeira e em países mais baratos para poder viajar mais tempo. Acho que ficaria vários meses na América Central, por exemplo.

Pôr do sol em Koh Tao, Tailândia
Pôr do sol em Koh Tao, Tailândia

Que conselhos você daria pra quem está pensando em fazer o mesmo (dar uma volta ao mundo)?

Praticar o desapego e quanto antes você começar a incorporar essa filosofia, melhor. Fiquei um ano viajando com 15 kg de roupas. Pode parecer loucura para muitos, mas vou falar que teve roupa que eu nem usei. Vivendo a “vida normal” a gente se apega a coisas que não têm muita importância e na estrada você vai perceber que estar com a unha feita ou o cabelo arrumado não faz a menor diferença. Acho que na estrada você realmente pode ser o que você quiser, não precisa de nenhum tipo de maquiagem. É mais importante ser do que ter.

Se você acha que não vai conseguir se desapegar, talvez seja mais interessante fazer uma viagem mais curta, porque o que costumo dizer é que uma viagem de longa duração não é para qualquer um. E não estou falando de dinheiro, estou falando do desapego. E, além das dificuldades que inevitavelmente vão surgir durante a viagem, tem o problema da volta para casa. Confesso que até hoje ainda não me adaptei, até porque a Fernanda que saiu não foi a Fernanda que voltou.
Mas, foi a melhor coisa que fiz e recomendo para todo mundo que está disposto a encarar o desafio.

Quem quiser entrar em contato ou saber mais sobre a  experiência da Fernanda nessa viagem, tem mais posts no blog dela:

Muitas dicas para dar uma volta ao mundo
Passagem de volta ao mundo

Contatos da Fernanda:
www.precisoviajar.com

@precisoviajar
www.facebook.com/citizenoftheworldbutmadeinbrazil

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *