Como viajar e fazer voluntariado

A blogueira Cristiane em “ação”

Adoro ouvir histórias de viajantes e mais ainda de gente que aproveita para fazer voluntariado enquanto roda pelo mundo. Eu realizei um dos meus grandes sonhos no ano passado, passei 4 meses em Moçambique fazendo voluntariado. Conto essa experiência neste post. Hoje quero compartilhar com vocês as histórias de um casal que deu a volta ao mundo fazendo turismo solidário, e de duas viajantes experientes que também curtem aliar turismo e ajuda humanitária.

Há alguns anos, a jornalista Paola Bello passou um mês num campo de refugiados em Uganda fazendo uma reportagem sobre meninos soldados e meninas escravas sexuais em meio a guerra civil. Depois dessa experiência forte, ela teve certeza de que queria trabalhar com ajuda humanitária. A gente se conheceu em Moçambique no ano passado, onde ela também fez um voluntariado.

Essa é a Paola, em Uganda
Essa é a Paola em Uganda

“Trabalhar com voluntariado nem sempre é tão fácil quanto parece. É preciso enfrentar diferenças culturais, o choque de realidade, o preconceito, a falta de recursos. Mas o retorno que se tem é algo que dinheiro algum é capaz de pagar. Não há promoção na empresa, salários adicionais ou participação de lucros que se comparam à felicidade de ver nos olhos de uma criança a sensação de que ela faz parte de um contexto, de que há alguém preocupado com ela, com seu bem estar”, conta Paola.

Ano passado ela foi pra África para trabalhar com a ActionAid, na área de capacitação de jovens em rádios comunitárias. “Trabalhei desde conceitos básicos de jornalismo até a parte institucional da comunicação, estruturação da comunicação interna, construção do site e produção de conteúdos básicos da instituição”, explica.

A princípio, a experiência seria de nove meses. Mas, por problemas da organização, a Paola não conseguiu continuar no voluntariado. “Alguns problemas internos levaram ao fechamento temporário da rádio, e para não gastar os escassos recursos da ONG no país, decidi pedir meu desligamento depois de seis meses em Moçambique, já que não havia previsão para retomada normal das atividades”, relembra.

Paola com o grupo de alunos de francês, em Moçambique

Apesar de não ter completado o voluntariado, a Paola voltou para o Brasil com uma mala cheia de aprendizado. “Não me arrependo, em momento algum, de ter ido. E, mesmo sem ter atingido totalmente o que buscava, tenho a certeza de que algumas das sementes que deixei germinarão. Além do trabalho, pude conhecer muitas pessoas e lugares diferentes. Vi que o mundo é ainda menor do que imaginava e que amizades podem, sim, surgir em pouco tempo”, diz.

Volta e meia algumas pessoas me perguntam por onde se começa a procurar um trabalho voluntário. A Paola, por exemplo, se inscreveu em vários programas de diferentes organizações. Além disso, ela costuma ficar de olho em sites de terceiro setor e de oportunidades na área. Eu preferi entrar em contato diretamente com a ONG em Moçambique. No post anterior conto mais sobre isso também.

Animais
Um voluntariado não precisa necessariamente ser com pessoas. Tem gente que gosta de doar seu tempo e conhecimento em prol dos animais. A blogueira e turismóloga, Cristiane Marques, é uma delas. “Tenho um carinho especial pelo trabalho que fiz na Bolívia com reabilitação de animais silvestres. Foi meu primeiro contato com o cuidado de animais e sem dúvida foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida”, relembra.

Cristiane durante seu voluntariado cuidando de animais na Bolívia

A Cristiane cuidava de animais maltratados e trabalhou duro durante esse período. Na Bolívia, ela acordava todos os dias às 5h30 e só parava de trabalhar às 19h. “Precisa de muita paciência, confiança e amor de ambas as partes para que tudo aconteça”, conta.

A paixão por ajudar vem de muito cedo. Aos 18 anos, Cristiane foi “doutora da alegria” em Brasília. Ela trabalhava como voluntária em hospitais atuando como palhaça, inspirada no trabalho do Patch Adams.

Depois dessa experiência, volta e meia ela viaja com alguns instrumentos circenses: nariz de palhaço, sapato, roupas, mágicas, etc. “A arte é uma ponte incrível para ligar pessoas. Em 2009 conheci um grupo que viajava fazendo trabalhos voluntários de forma independente e achei aquilo incrível! A partir daí, sempre que estou em algum local dou uma pesquisada onde posso contribuir”, explica.

Exterior
Muita gente quando ouve falar em voluntariado pensa logo em ir pra fora, mas o que muitos esquecem é que bem pertinho de onde a gente mora sempre tem alguém que precisa de ajuda. “Há uma tendência das pessoas buscarem voluntariado no exterior. Sempre digo nas minhas palestras que antes de querer viajar pra fora como voluntário, as pessoas deveriam praticar ações que ajudem seu bairro, sua cidade, sua comunidade”, diz Cristiane.

Volta ao mundo
O holandês Kamiel e a sul-coreana Yeon são blogueiros e voluntários mega experientes. Durante um ano eles viajaram por vários países, como Bolívia, Índia e Quênia, e ao longo do trajeto foram parando onde encontravam instituições que precisavam tanto de ajuda humanitária como de uma mão em projetos ecológicos.

O Kamiel e a Y no Quênia
O Kamiel e a Yeon no Quênia

Em 2009, eles começaram a escrever o blog Charity Travel, para compartilhar suas experiências com outros leitores. “Fazer voluntariado é algo muito gratificante e acreditamos que é possível encontrar pequenas instituições que precisam ajuda, sem ter que passar por todo o sistema burocrático”, explica Kamiel.

Ele me contou que um dos melhores momentos durante esse ano foi assistir um filme com 96 crianças órfãs em uma escola que estava dentro de uma favela em Nairóbi. “Nós levamos um mini projetor e nossos amigos quenianos nos ajudaram com a tradução, foi emocionante. Outro momento que adoramos ter compartilhado foi levar medicamentos a um campo de refugiados palestinos”, relembra.

Construção do orfanato no Quênia
Kamiel e Yeon ajudaram na construção desse orfanato no Quênia

Além de tudo isso, Kamiel e Yeon também plantaram árvores de manga na Tailândia, ajudaram em um escritório de microfinanças nas ilhas Fiji, colocaram a mão na massa para ajudar na construção de um orfanato no Quêmia, e visitaram favelas em Buenos Aires, entre outros trabalhos voluntários. Durante esse período, eles viajaram de carona e se hospedaram em casa de amigos ou conhecidos. A ideia era sempre procurar organizações comunitárias e ONGs que precisavam de voluntários.

Dicas
Se você também quer fazer trabalho voluntário, para evitar aborrecimentos e frustrações, siga estas dicas da Paola e da Cristiane antes de aceitar qualquer proposta.

– A Cristiane diz que é muito prazeroso ser voluntário, mas que também é algo muito sério. Ser voluntário expõe o viajante à necessidades de problemas reais. Por isso, é muito importante estar ciente do tipo de trabalho que se pretende realizar. Por exemplo, não adianta querer trabalhar com tigres, se você tem medo deles.

– Para quem não quer procurar um voluntariado de maneira independente, a Cris recomenda buscar alguma agência de intercâmbio séria. Existem várias que oferecem esse tipo de viagem e, segundo ela, apesar do alto custo, essas empresas disponibilizam pacotes com aéreos, hospedagem, alimentação e encontram instituições interessadas em receber voluntários.

– A Paola recomenda conhecer a fundo a situação do país, o comprometimento da organização e as reais condições de trabalho oferecidas antes de aceitar qualquer acordo.

– Procure saber sobre a cultura, idioma e estude muito a situação do país que for visitar. Mesmo em lugares que usam a mesma língua, as culturas podem ser extremamente diferentes. “É bom estar preparado para o pior, desde problemas de comunicação a preconceito. E isso não é uma visão pessimista, é uma medida para acabar não se desapontando logo de cara”, aconselha Paola.

Para saber mais sobre a Paola e sobre a sua experiência em Moçambique, leia seu blog; aquinaafrica.blogspot.com.br
E quem quiser ler ou tirar dúvidas com a Cristiane, acesse seu blog dentrodomochilao.com
Para saber mais sobre os trabalhos voluntários do casal Kemel e Yeon, vejam o blog charitytravel.blogspot.com e a web kindmankind

Escrevi este outro post sobre a minha experiência de voluntariado em Moçambique, confere lá. Se você já fez algum voluntariado e quer compartilhar a sua experiência com a gente, deixe um comentário ou dica, que a gente agradece.

18 Comments

  • Oi, Roberto. O que você poderia fazer é procurar alguma ONG que se encaixe com o perfil que você deseja e oferecer seus trabalhos e conhecimentos. Boa sorte!

  • Oi Vanessa, que bacana que você tenha interesse em ajudar os refugiados que estão vivendo um momento terrível. Eu não conheço pessoalmente nenhuma ONG que trabalhe na Grécia, mas faz pouco li sobre esta http://theworldwidetribe.com/volunteer e dá uma olhada no projeto de uma jovem brasileira ¨Flores para os Refugiados¨, no Facebook. Ela já foi 2 vezes à Grécia e tem apenas 16 anos. Talvez você possa conseguir mais informações com ela. Boa sorte. Abraços.

  • Bom dia,
    Meu nome é Vanessa, empresária, trabalho na área de saúde há 20 anos e tb sou formada em Educação Física. Tenho interesse em trabalhar como voluntária nos campos de refugiados da Grécia. Gostaria de saber que caminho devo seguir para chegar até lá.
    Desde já agradeço sua atenção.
    Att.
    Vanessa Vellozo

  • Oi Camila
    Que bacana que você tenha vontade de fazer voluntariado e sendo tão jovem. Com certeza existem instituições interessadas, mas acho que para conseguir algum voluntariado que se disponha a pagar a sua viagem ou algum outro custo, acho que só para quem tem mais de 18 anos. De qualquer maneira, você pode procurar instituições na sua cidade e começar a ter experiência ajudando pessoas perto de onde você mora. Também sei que a AIESEC tem programas de voluntariado para jovens, dá uma olhada no site deles. Boa sorte!!

  • olá, tenho 15 anos e uma vontade enorme de conhecer outras culturas e ajudar pessoas, acho super legal, porém não tenho como pagar a viagem, tem alguma instituição que trabalha com adolescentes e leva para voluntariado por concurso ou algo do tipo arcando com as despesas ou então para trabalhar lá antes dos 18 sem pagar um preço muito alto? obrigada.

  • Oi, Lucila!
    Terias como me passar teu endereço de e-mail para conversarmos sobre uma entrevista para um site?

  • Olá, Fernanda. Que bacana que vc quer fazer um voluntariado na África. Olha, como eu escrevi no post, eu fiz esse voluntariado em Moçambique por minha conta, sem uma agência. Essa que vc diz eu não conheço. Tente ver o que vc encontra sobre eles na internet pra ver se é confiável, etc. O melhor seria que alguém que já fez um voluntariado com eles te contasse a experiência. Boa sorte. Abraços!

  • Olá,
    Eu tenho 16 anos e já fiz trabalho voluntário no hospital das clínicas em São Paulo e queria muito fazer algum trabalho voluntário no exterior, especificamente na África, porém por meio de agência é complicado porque eles exigem que a pessoa seja maior de 18 anos e na época que eu quero ir vou ter só 17… Eu acabei procurando algumas instituições na internet e achei a Goeco que me interessou muito e pode pra minha idade, mas tenho medo de nao ser 100% confiável pois nunca ouvi falar dela antes. Você conhece essa organização ou recomenda alguma que nao seja agência devido ao problema da idade?
    Grata,
    Fernanda

  • Oi, Jr
    Que legal que vc curtiu. Sim, qdo. vc fizer um voluntariado vai ver que a satisfação é muito grande. Abraços

  • Ótimo estes posts sobre viagem a voluntariado. Estou pensando em fazer uma viagem de volta ao mundo e durante ela realizar algumas ações voluntárias em alguns países. Muito bom conhecer estas experiências.

    Valeu

  • Belas histórias! Bom demais ler relatos tão lindos como o da Paola e do casal Kemel e Yeon. Estamos todos juntos. Ótimo post! Gratidão por divulgar o volunturismo. 😉

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