Volta ao mundo – Eder e Fabiana

voltaaomundo

No post deste mês da série “Volta ao mundo em 12 blogs” os convidados são o Eder e a Fabiana, que também resolveram se aventurar pelo mundo afora. Os dois embarcaram em uma super viagem que durou nada menos do 480 dias. O casal visitou 37 países da Europa, África, Ásia e Caribe. “Ninguém que faz uma viagem dessas volta a mesma pessoa. Nós retornamos ainda mais desapegados das coisas materiais, muito mais flexíveis e pacientes”, conta Eder.

Imagina quantas histórias e dicas eles têm pra compartilhar com a gente. Durante a viagem, o casal optou por pegar avião só quando tinha que trocar de continente, os dois chegaram a dormir na rua algumas vezes, entre outras aventuras. Confiram a entrevista bacana que o blogueiro Eder, do Quatro Cantos do Mundo, deu pro Mochila Cult.

A Fabiana e o Eder felizes na Victoria Falls, na Zambia
A Fabiana e o Eder felizes na Victoria Falls, na Zâmbia

– Que tipo de passagem vocês recomendam pra dar uma volta ao mundo? Quais são as vantagens e desvantagens dos tickets RTW (round the world)?

Não compramos um ticket RTW. Basicamente só fizemos os deslocamentos de avião em mudanças de continente e também no sudeste asiático, onde as passagens são bem baratas.
A passagem de volta ao mundo geraria alguns inconvenientes para nosso tipo de viagem. Existem três alianças mundiais (Star Alliance, One World e Skyteam) que vendem este tipo de ticket e cada uma delas tem um tipo de inconveniente:

1) Seus trajetos devem ser sempre num mesmo sentido do globo (oeste–leste). Não pode haver trajeto em sentido contrário a este.

2) O ponto de chegada de um trajeto obrigatoriamente deve ser o ponto de partida do próximo trajeto. Isto “engessa” bastante a mobilidade, principalmente para nós que estivemos em muitos países em cada continente.

3) Estas alianças mundiais são compostas por companhias globais que não voam para países como Moçambique, Laos ou Camboja, exatamente alguns dos lugares que visitamos durante a viagem.

4) O planejamento dos trajetos deve ser bem feito e seguido à risca. Existe a possibilidade de alteração de datas e roteiros, mas em alguns casos estas alterações são taxadas. Como nosso roteiro era bastante flexível, esse era mais um inconveniente para nós.

– O que ajudou mais no planejamento da viagem? Onde e que tipo de informação vocês buscavam?

Em 2008, tivemos muita dificuldade em encontrar brasileiros que já haviam feito o mesmo projeto. Por isso buscamos informações basicamente em livros. Iniciamos a viagem depois de nove meses da decisão, foi uma bela gestação. O tradicional Lonely Planet, a bíblia dos gringos que viajam pelo mundo, também ajuda um pouco (consultamos várias vezes as guias de amigos viajantes, mas nunca compramos um).
Apesar da globalização se estender por quase todo o mundo, nós resolvemos visitar vários lugares onde ela ainda não alcançou seus tentáculos. Planejar uma viagem para Europa, por exemplo, é bem fácil e todas as informações mais importantes podem ser obtidas na internet. Agora, descobrir se existe algum tipo de transporte para cruzar o rio Rovuma na fronteira entre Moçambique e Tanzânia não é tarefa das mais fáceis. Até esse tipo de falta de informação foi bom para nos deixar menos estressados com o planejamento e como diz o Zeca Pagodinho: “Deixa a vida nos levar, vida leva eu”.

A fantástica ilha de Bazaruto, em Moçambique, não ficou fora dessa viagem
A fantástica ilha de Bazaruto, em Moçambique, não ficou fora dessa viagem

– Assim como eu, vocês também sentem que ser brasileiro no exterior ajuda? Vocês sentiram algum preconceito ou um grande amor dos estrangeiros pelo Brasil durante a viagem?

Depende de onde você está. Na África, os brasileiros são adorados por causa do futebol. Todos queriam conversar com a gente, saber do Brasil e sempre foram muito amistosos. Em geral, os brasileiros são bem vistos em todos os lugares. Mas, por exemplo, em Portugal o brasileiro não é tão bem visto. Não tivemos problemas e nem sofremos preconceito, mas devido a que muitos brasileiros imigram ilegalmente por lá, para atividades com prostituição e outras mais, eles têm um certo pé atrás com a gente.

– Que dicas vocês podem dar para quem quer dar uma volta ao mundo, como essa de visitar destinos onde faça calor pra levar roupa mais leve na mochila?

Essa é uma ótima dica. Outra que acho importante é levar pouca coisa na bagagem. Isso te deixa leve e você pode exercitar o desprendimento, que é fundamental neste tipo de viagem. Se você levar muita coisa acabará se desfazendo delas no caminho. Eu saí do Brasil com 5 camisetas e voltei com 3, e achava que era mais do que suficiente. Outra dica é arrisque, ouse, converse com as pessoas nas ruas, e use seu sexto sentido para evitar enrascadas. Não confiava nele, mas percebi que é fundamental.

Os dois curtindo uma praia em Santorini, na Grécia
Os dois curtindo uma praia em Santorini, na Grécia

– Como vocês fizeram com acomodação? Dormiram em hostel, hotel, casa de amigos? Com quanto tempo de antecedência vocês faziam as reservas?

Dormimos em praticamente todos os lugares possíveis.  Hostel, hotel, albergue, fizemos couchsurfing, casa de amigos, na rua (duas vezes), no ônibus, no trem, na barraca, em casa de amigos de amigos, etc. Raramente fazíamos reservas dos lugares onde ficávamos. Abríamos uma exceção quando, por exemplo, mudávamos de continente e chegávamos cansados no meio da noite. Mas em 99% das vezes usamos uma técnica que desenvolvemos com o tempo.

Fish River Cannyon, Namíbia
Fish River Cannyon, Namíbia

– Eu acho que viajar acompanhando ajuda a driblar os momentos de solidão e de saudades. Mas e quais são os pontos negativos de viajar de casal por tanto tempo, quais são os prós e os contras?

A Fabi (mimha esposa) sempre falava: “Se nosso casamento aguentar esta viagem, será mesmo para sempre. Viajando em casal a convivência é 24 horas por dia, sete dias por semana. Diferente do que você tem em casa, quando cada um vai para o seu trabalho e a convivência se restringe à noite, férias e fins de semana. Se isso pode ser um fator negativo para uns, para nós foi decisivo para termos uma cumplicidade ainda maior entre a gente. Bastava um olhar e o outro já entendia a mensagem. Ficamos muito mais unidos, um sempre ajudando o outro. Quando um estava em um dia ruim o outro segurava a onda das dificuldades da viagem.

Eles também passaram pelo Camboja
Eles também passaram pelo Camboja

– Qual foi o maior aprendizado que vocês tiveram com essa experiência? A Fabiana e o Eder que saíram do Brasil foram os mesmos que voltaram 16 meses depois?

Ninguém que faz uma viagem dessas volta o mesmo. Até se você for comprar pão na esquina você volta diferente, imagina numa experiência com esta. Voltamos ainda mais desapegados das coisas materiais, muito mais flexíveis e pacientes. Conscientes de que muitas coisas não podem ser mudadas por nós, então para que se estressar com elas? Hoje somos muito menos preconceituosos e julgamos menos as coisas e as pessoas.

Se quiser ler mais sobre as dicas do Eder e da Fabiana, clique nestes links:

Por que os brasileiros só viajam com hotel reservado?
Mais dicas para quem planeja dar uma volta ao mundo
Volta ao mundo em 10 cervejas

Contatos do Eder e da Fabiana:
Blog: quatrocantosdomundo.wordpress.com
FB: www.facebook.com/quatrocantosdomundo
Twitter: @4cantos_mundo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *