Um casal e um coelhinho

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O casal internacional Carol e Alexis, e o simpático coelhinho Kiki, largaram tudo e decidiram que era hora de se aventurar pelo mundo. Os dois têm 34 anos, a Carol é carioca, adora aventura e planejar, o Alexis é francês e tem alma de artista. Os 3 partiram pra dar uma volta ao mundo em 2011. O Kiki entrou na história como mascote do blog Kiki Around the World porque o Alexis já fazia fotos dele em suas viagens anteriores. “Ele é certamente o coelho mais viajado do mundo”, explica Carol.

O casal começou a viagem em 2011 e terminou no fim de 2013. Durante essa aventura eles visitaram 44 países, 286 cidades e percorreram 189 mil quilômetros. Por enquanto, eles dividem o tempo entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Se quiser saber em detalhes como foi a aventura desse trio parada dura, quanto eles gastaram por dia, dicas pra economizar durante uma viagem longa e muito mais, continue com a leitura deste novo post da série Volta ao mundo em 12 blogs!! “Se você não fizer nenhum controle, sua viagem pode durar menos do que imagina. Dinheiro voa”, aconselham.

A Carol e o Alexis no Nepal
Alexis,  Carol e o Kiki no Nepal

Como se faz uma preparação para dar uma volta ao mundo?
Não existe regra numa viagem como essa. Na verdade isso depende muito de perfil. No nosso caso, a Carol adora planejar. Então planejamos toda a parte financeira para a viagem e também pra volta, o roteiro base, toda a parte burocrática, etc. Mas tem gente que não faz planejamento algum, compra só a passagem do primeiro destino e depois vai deixando o vento levar. A gente teve tempo pra planejar, mas se alguém não tiver tanto tempo assim, dois meses é mais do que suficiente.

E como fica a questão da grana, quanto dinheiro vocês gastaram por dia? Juntaram tudo ou pararam pra trabalhar em algum lugar?
Se a pessoa precisar de dinheiro, ela trabalha no caminho. Nós não pensávamos em trabalhar durante a viagem, por isso economizamos todo o dinheiro possível pra isso e pra ter um pouco mais para a nossa volta.

O custo de uma viagem dessas depende do roteiro escolhido e do perfil de cada um. Nós somos viajantes com níveis de gastos médios a econômicos. Nossa viagem teve padrões de gastos bem diferentes. No primeiro ano gastamos uma média diária de 60 dólares por pessoa, pois estivemos em países caros, compramos a passagem RTW (round the world) e muitas extras que usamos para visitar amigos espalhados pelo mundo. Mas no segundo ano tivemos uma média diária bem mais baixa, 39 dólares por pessoa, pois fizemos quase tudo por terra e a maioria dos países que visitamos eram baratos.

Acho que essa deve ser uma das partes mais difíceis, arrumar a mochila. Quantos quilos pesava a de vocês? O que não pode ficar de fora numa viagem longa como essa?
A gente saiu do Brasil com 14 kg cada um, mas se fizéssemos essa mesma viagem outra vez, tentaríamos sair com 11 kg no máximo. Os itens essenciais são: uma boa capa de chuva que não ocupe muito espaço, casaco térmico de fleece, calça-bermuda impermeável para caminhadas (se você curte aventura), tênis impermeável para caminhada, chinelo havaianas, cadeados de código, capa protetora do mochilão (que pode ser trancada com cadeado pra segurança), laptop (principalmente se você tem um blog), split para fone de ouvidos, se você viaja acompanhado (assim você pode ver filmes no computador acompanhado em qualquer lugar), um HD externo de 1TB com filmes e que serve também para armazenar fotos, toalha de microfibra XL (não ocupa muito espaço, é grande e seca rápido), uma boa máquina fotográfica com baterias extras, uma máquina aquática, óculos escuros, máscara para os olhos e tampão de ouvidos (para garantir boas noites de sono em qualquer circunstância).

E se a pessoa não achar tudo isso, como faz?
Não precisa se preocupar em sair super preparado com tudo na mala. Ao longo da viagem, se a pessoa sentir necessidade, facilmente pode adquirir o que precisa no caminho.

Descansando no Cayo Santa Maria - Cuba
Descansando no Cayo Santa Maria – Cuba

Que dicas vocês dariam para quem quer economizar num RTW? 

  • Viaje devagar: o gasto com transportes para o deslocamento se dilui nos dias e você tem mais tempo para conhecer o lugar e saber onde estão as opções mais baratas para dormir, comer e fazer passeios.
  • Viaje por terra: na maioria das vezes o deslocamento por terra é mais econômico. Se você fizer um roteiro com 80% por terra, sua viagem fica bem mais em conta.
  • Escolha destinos baratos: existe uma enorme lista de países onde você pode gastar de 20 a 30 dólares por pessoa por dia. Foque nesses destinos e a viagem vai sair muito mais barata.
  • Vá na baixa temporada: é difícil conciliar o seu roteiro em 100% do tempo para evitar a alta temporada, mas se você sabe que aquela cidade específica bomba muito no período que você queria ir, vale a pena repensar seu roteiro. Nessa época, os preços podem triplicar dependendo do local.
  • Faça deslocamentos noturnos: dessa forma você economiza na hospedagem daquela noite. Mas isso só vale se a passagem noturna não for bem mais cara que a diurna.
  • Durma com os locais: peça para dormir na casa de pessoas ou tente fazer couchsurfing, é uma ótima forma de interagir com a cultura local.
  • Procure pelos hotéis você mesmo: as acomodações mais baratas geralmente não estão disponíveis na internet, a melhor forma de encontrá-las é caminhando pela cidade.

E na hora das refeições, como economizar?

  • Coma onde os locais costumam ir: esqueça os restaurantes turísticos, procure comer onde os locais comem e em mercados. Uma boa forma é perguntar para os locais onde eles almoçam. O almoço tende a ser sempre mais barato, por isso vale a pena fazer essa refeição na rua e cozinhar no jantar (quanto tiver cozinha na sua hospedagem).
  • Seja seletivo: em longas viagens como essa você vai aprender a selecionar melhor o que vale mesmo a pena visitar. Ao invés de querer ver tudo como em uma viagem de férias. Você acaba aprendendo a usar seu dinheiro de forma mais eficiente quando fica mais seletivo.
  • Sempre olhe a agenda dos lugares turísticos: muitos oferecem dias gratuitos para visitação.
  • Pergunte aos locais: sempre pergunte aos locais quanto custam as coisas. É comum que algumas pessoas tentem enganar os turistas. Se você estiver esperto isso não acontece.
  • Controle seu orçamento: é importante você saber o quanto gasta diariamente para garantir a longevidade da sua viagem. Estipule metas de gastos diários por país e tente controlar os gastos dentro da sua meta. Se você não fizer nenhum controle, sua viagem pode durar menos do que você imagina. Dinheiro voa!

Índia - Holi, o Festival das Cores

  • Índia – Holi, o Festival das Cores

Como foi a convivência entre vocês durante essa viagem?
Conviver durante 2 anos, 24 horas por dia, 7 dias da semana não é fácil, mas é um bom aprendizado. Tivemos algumas brigas como nunca havíamos tido antes, mas é normal, pois é muito intenso. Uma viagem dessas vai unir um casal pra sempre ou separar. No nosso caso nos uniu.

Tem algum segredo para não brigar?
O segredo é aprender a ceder, ser mais tolerante, ficar unidos nos momentos difíceis e de estresse, não tentar encontrar culpados para os problemas,  respeitar os limites do seu companheiro e não levar as brigas tão a sério, afinal são circunstâncias extremas.

Eu nunca fiz uma viagem desse tipo, mas tenho a sensação de que um RTW dá somente uma certa ideia de cada lugar e que ao mudar tanto de país não há muito tempo para se aprofundar numa cultura realmente. Você concorda? Como foi isso pra vocês?
Não é o tempo que você gasta em cada lugar que vai garantir o aprofundamento na cultura e sim a forma de viajar. Uma pessoa pode ficar apenas dez dias num país e conhecer muito mais a cultura do que uma pessoa que fica um mês. Quanto mais você interagir e se envolver com os locais, mais você conhece a cultura. É claro que quanto mais tempo você tiver, mais oportunidades terá para essas interações, mas o interesse em se envolver precisa ser do viajante. Se ele quiser viajar numa “bolha”, não importa quanto tempo vai ficar, ele provavelmente não vai conseguir vivenciar a cultura.

Sapa - Vietnã
Sapa – Vietnã

Dicas para se aprofundar numa cultura?
Ficar na casa de locais, trabalhar pelo caminho, conversar com estranhos na rua, usar transporte público, observar o dia a dia das pessoas, fazer trabalho voluntário, fazer perguntas aos locais, tudo isso oferece oportunidades únicas de interação com a cultura.
Mudar de país é interessante pois você está constantemente impactado pelos constrastes. Tudo muda tanto que você começa a reparar nos mínimos detalhes das diferenças de cada cultura. Seu olhar fica mais aguçado. Quando passamos muito tempo em uma mesma cultura tendemos a nos habituar com as realidades dela, pois passa a ser comum pra gente. Quando você muda sempre, tudo parece novo e excitante. Mais uma vez, não importa quantos países a pessoa vai visitar na sua volta ao mundo e sim como ela vai experimentar cada um deles.

Se tivessem que escolher só 5 lugares pra voltar, quais seriam? Por quê?
Somos extremamente curiosos e sempre preferimos visitar lugares novos. Mas voltaríamos a países que nos encantaram e que gostaríamos de explorar mais; O Laos pela cultura e belezas naturais, a Índia pela cultura e exotismo, a Nova Zelândia pelas belezas naturais e oportunidades de aventura, e a Namíbia porque simplesmente amamos a África, as pessoas, a vida selvagem e as paisagens.

Malawi
Malawi

Depois de quase 700 dias viajando, como foi a volta pra casa? O que você acha que mudou pra vocês?
É impossível voltar a mesma pessoa, uma viagem dessas te transforma e pra melhor. Viajar o mundo foi a experiência mais incrível das nossas vidas. Fez bem pro nosso corpo, cabeça e alma. Saímos da “bolha” em que vivíamos e passamos a ver o mundo de todas as formas diferentes. Todos os dias aprendemos alguma coisa com cada pessoa que cruzou nossos caminhos, cada nova cultura que interagimos, cada ideia criativa que nos deparamos, cada maravilha da natureza, cada nova forma de se fazer uma mesma coisa, cada simples momento da vida. Foi uma atividade intensa pro nosso cérebro e alimento pra criatividade que abriram nossas mentes pra uma nova forma de ver o mundo e nossas vidas.

O famoso Kiki no Machu Picchu
O famoso Kiki no Machu Picchu

O casal que foi é o mesmo que voltou?
Todo aquele medo que a gente tinha do incerto no início se transformou num mundo de oportunidades. A coragem de largar tudo se multiplicou e agora virou combustível pra vivermos todos os sonhos de nossas vidas. Nunca nos sentimos tão poderosos pra viver a vida que queremos de verdade. Apesar da aventura ter acabado, nos demos conta de que na verdade não terminou, ela está apenas começando. Estamos cheios de ideias e planos para o futuro, e a vida nunca foi tão excitante!

Pra quem quiser saber mais detalhes dessa viagem incrível, tem muito mais no blog deles:

– 5 passeios de barco formidáveis
– 5 lugares pra fazer snorkel
– 5 experiências de culinária excêntrica

Os contatos da Carol e do Alexis:
Blog – www.kikiaroundtheworld.com
Facebook: https://www.facebook.com/kikiaroundtheworld
Vimeo – https://vimeo.com/kikiaroundtheworld/albums

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