Uma mulher pelo mundo

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“Trota mundos”, essa expressão usada pelos espanhóis se encaixa perfeitamente para definir a super viajante Adriana Lacerda. Ela nasceu em Salvador, morou no Peru, depois se mudou para os Estados Unidos, onde fez faculdade, logo foi morar na Espanha e depois no Chipre, onde finalmente teve a ideia de começar a escrever seu blog, Escapismo Genuíno, para poder compartilhar suas andanças e viagens.

Em 2013, essa blogueira resolveu que era hora de dar uma volta ao mundo junto com seu marido. Durante essa aventura, que durou 13 meses, Adriana conheceu 34 países, entre eles o Butão, um lugar bem pouco visitado.

Adriana em Zanzibar, na África
Adriana em Zanzibar, na África

 

Nesta entrevista da série “Uma volta ao mundo em 12 blogs”, Tete, como é mais conhecida, conta sobre essa experiência incrível de dar um tempo na rotina e se largar no mundão. “Percebo mais do que nunca que a única coisa constante na vida é a mudança e que nada dura para sempre. O bom da vida é se reinventar”, acredita ela. Com vocês, uma aventura pela Ásia, África, América e outros continentes.

Como surgiu a ideia de dar uma volta ao mundo?
Um amigo do meu pai fez uma viagem dessas em 2005, desde então não tirei essa ideia da minha cabeça.

Aventuras em Pinnawalla, no Sri Lanka
Aventuras em Pinnawalla, no Sri Lanka

 

Da organização, qual foi a parte mais difícil?
Fazer o roteiro, queria ir a muitos países, tive que tirar alguns. Também planejar e executar a viagem enquanto viajava, ou seja, parar algum momento para planejar os próximos dias, comprar passagens, pesquisar albergue e hotel, logística, etc.

Como foi a parte da escolha dos destinos? O que você priorizou e o que acabou ficando de fora?
Priorizei destinos exóticos. Não queria Europa nem EUA. Parei na Espanha porque meu marido teve que ir lá a trabalho. Parei na Califórnia porque o bilhete volta ao mundo tinha conexão lá, então aproveitei pra ver umas amigas.

Você também esteve em destinos com muita opulência e riqueza como Omã. Como é esse país?
Foi uma grande surpresa positiva. O povo é simpático, acolhedor, humilde, de coração aberto. Belas paisagens e fora do caminho comum, que é o que eu prefiro.

Com traje típico em Muscate, Omã
Com traje típico em Muscate, Omã

 

Como você lidava com contrastes econômicos e sociais tão grandes, como por exemplo visitar Omã e Cuba?
Sou muito sensível, então estive esses 13 meses à flor da pele. Sorrir e chorar eram parte da rotina. Sentia dor no coração em muitos lugares como Índia e Cuba. Meu coração afundava, mas depois ele se re-enchia ao ver algo belo, ao ter uma boa conversa com alguém e no final do dia ao agradecer.

Visitando o Butão
Visitando o Butão

 

Entre todos os países que você visitou, vi que passou pelo Butão. Que sonho! Por que a escolha desse lugar? É difícil chegar lá, é caro? É verdade que não dá para entrar sem guia turístico? O que você viu por lá?
Estive apenas 4 dias porque é realmente caro. Tem que ir com pacote com guia para obter o visto e paga-se uma taxa de turismo por dia. Não tem albergues, só hoteis de 3, 4, 5 estrelas. Escolhi esse lugar porque sou fascinada por ele, já tinha lido muito a respeito e na minha pesquisa sobre a felicidade não podia faltar o reinado que tem a política da Felicidade Interna Bruta. Encontrei lá muita paz, pessoas boas, hospitaleiras, muitos templos e um aconchego vindo do budismo.

O que você diria pra alguém que está pensando em dar uma volta ao mundo mas acha que pra isso é preciso ter muuuito dinheiro e coragem?
Precisa de dinheiro e coragem sim, mas precisa-se mais de desapego, respeito com você e o próximo, deixar ser, não julgar. Uma volta ao mundo não é pra todo mundo. É cansativo, intenso e desafiador. Tem que ter muito desejo e muito amor.

Como foi a volta ao Brasil? Como está sendo essa readaptação? A Adriana que partiu para essa aventura mudou de que maneira?
É difícil voltar a ter rotina depois de viver 13 meses sem ela. Não estava perdida, estava me reajustando, como um sapato novo no pé. Dá bolha, dói, até amaciar e se acostumar. Sinto que julgo menos, sou mais sensível, mais calma, mais desapegada a coisas materiais, mais apegada a memórias, e convivo melhor com a saudade. Percebo mais do que nunca que a única coisa constante na vida é a mudança e que nada dura para sempre. O bom da vida é se reinventar.

Nas Cataratas de Vitória, na Zâmbia
Nas Cataratas de Vitória, na Zâmbia

 

Depois de ter conhecido tantos lugares você tem essa sensação de “tenho saudades dos lugares onde ainda não estive”?
Sempre tive saudade dos lugares onde ainda não estive. Essa é a história da minha vida. Mais tenho MAIS saudade ainda, saudade que dói no peito de alguns lugares que estive, como Tailândia, Laos, Camboja e Bali. Lugares que quero voltar muitas vezes.

Adriana também poassou por Bagan, no Mianmar
Adriana também poassou por Bagan, no Mianmar

 

Antes de terminar, algo rápido pra conhecer um pouco mais essa viajante sensível e aventureira.

Um projeto – um livro
Uma frase – “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, de Fernando Pessoa
Uma palavra – gratidão
Uma canção – o mantra ‘om mani padme hum’
Uma paisagem – pôr do sol com os templos de Bagan, em Mianmar
Um lugar – Ubud, em Bali
Algo que não pode faltar nunca na mochila – câmera

Quem quiser conferir mais sobre a sua volta ao mundo, tem muitos posts no seu blog como esses:

Viagem ao Butão 
Moçambique e seus mercados 
O retorno de uma volta ao mundo 

Os contatos da Tete:
Facebook – escapismogenuino
Twitter – viajantete
Instagram – viajantete

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