7 lugares para curtir tango

Foto: Los Laureles - divulgação
Foto: Los Laureles – divulgação

 

Que na capital argentina se respira tango não é novidade pra ninguém. Quem visita Buenos Aires deveria incluir pelo menos um passeio tangueiro na sua agenda. Opções é o que não faltam; bares com história, cemitérios, cafés clássicos e linhas de metrô que têm o tango como principal atrativo.

A Gisele Teixeira, autora do blog Aquí me Quedo, é uma brasileira apaixonada por essa dança sensual. Tanto é que ela mora em Buenos Aires e resolveu estudar pra ser professora desse baile que encanta tanta gente. Como a Gisele é mega entendida no assunto, pedi pra ela nos dar algumas dicas de lugares e passeios tangueiros pra fazer na capital argentina. Dá só uma olhada na seleção mega legal que ela preparou.

1. Um café com história

Tangueando por Buenos Aires
Foto: Lucila Runnacles

 

São incontáveis os tangos feitos em homenagem aos cafés de Buenos Aires. El Último Café, Café La Humedad, Cafecito de mi Barrio, Café de Barracas, Cafetín de Buenos Aires, Muchacho de Cafetín, El Viejo Tortoni, entre outros. As referências não são à toa. Os cafés portenhos são como tatuagem na geografia da cidade. Se quiser conhecer um com muuuito história, vá na Confiteria Ideal.

Esse lugar é uma joia da belle epoque, cenário de filmes como Tango, de Carlos Saura, e Evita, de Alan Parker, que teve Madonna no papel principal. Se você dança tango, marque três estrelinhas na agenda: aí mesmo é que tem que ir! A confeitaria nasceu como salão de chá em 1912. Seus lustres são franceses, os vitrais italianos, as paredes revestidas de madeira esculpidas na Eslovênia e todo o mobiliário Thonet autêntico!

Hoje em dia, a confeitaria não tem mais o mesmo glamour nem importância de outros tempos, mas resiste bem no estilo “decadance avec elegance” e é referencia para milongueiros do mundo todo. Se nada disso ainda te convenceu, o lugar foi declarado área de proteção histórica e de interesse cultural.

Quer saber tudo sobre Buenos Aires? Confira o guia de viagem digital para ter a capital portenha aos seus pés!

Serviço:
Confiteria Ideal
Suipacha, 384, Centro.

2.  Cemitério Chacarita, um templo

Cemitério Chacarita. Foto: Gisele Teixeira
Cemitério Chacarita. Foto: Gisele Teixeira

 

Em Buenos Aires, o cemitério de visita obrigatória para os tangueiros não é o da Recoleta, e sim o de Chacarita, onde estão enterradas as principais personalidades do 2×4. Fundado em 1871, é o maior do mundo. O espaço conta com nada menos do que 10 mil jazigos, 350 mil gavetas e 100 mil sepulturas. Ninguém menos do que Carlos Gardel, que foi elevado à categoria de santo milagroso, está enterrado lá.

Entre outros tangueiros que descansam na Chacarita, especialmente no setor 7E, estão Osvaldo Pugliese, Augusto Magaldi,  Aníbal Troilo, Julio e Francisco de Caro, Carlos di Sarli, Homero Manzi e Roberto Goyeneche. A lista de tangueiros nesse cemitério é impressionante: tem pelo menos 50 nomes famosos que valem a visita. Entre eles, um brasileiro, o Alfredo Le Pera, que foi parceiro de Gardel e um dos maiores letristas da história do tango.

Serviço:
Cemitério Chacarita: Guzmán 680 (metrô linha B)
Aberto os 365 dias do ano, das 7h às 17h.

3. Uma milonga sem preconceito

A capital argentina tem um Festival Internacional de Tango Queer e pelos menos duas milongas onde dá para dançar sem preconceito; Milonga Queer e La Marshall. Não se diz milonga gay, porque não é uma questão de sexualidade. Tango é tango. São lugares onde cada um dança com quem quiser, fazendo o papel de condutor ou deixando ser conduzido, e não necessariamente tem que dançar homem e mulher junto.

Serviço:
“Tango Queer”, com classes de milonga às terças-feiras, na Calle Perú, 571
“La Marshall”, todos os domingos, na Calle Rivadavia, 1392; e nas sextas, na calle Riobamba, 416.

4. Um lugar para não errar

Poucos lugares na cidade podem ser recomendados de olhos fechados, e o Centro Cultural Torquato Tasso é um deles. No boêmio bairro de San Telmo, em frente ao Parque Lezama, esse lugar tem uma programação musical impecável. De quinta a sábado, o espaço abre as portas para músicos e orquestras consagradas. Os dias de semana são reservados aos jovens intérpretes.

Para completar, domingo é dia de baile! A Milonga do Tasso tem sempre salão lotado e música ao vivo com a orquestra Rascacielos. O lugar tem um restaurante, mas a comida não é o forte da casa. Imprescindível fazer reserva.

Serviço:
Centro Cultural Torquato Tasso
Defensa 1575, San Telmo

5. Um bar para encontrar a nova geração

Foto: Sanata Bar - divulgação
Foto: Sanata Bar – divulgação

 

O Sanata bar fica num casarão de esquina, no coração do bairro de Almagro. A fachada – pintada com ícones do tango como Carlos Gardel e Tita Merello – chama a atenção de longe. Por dentro, outros tangueiros tomam conta das paredes, cheias de murais. O ambiente é informal e à meia luz. Tem música ao vivo de segunda a sábado, e milonga no domingo. O cardápio é bem variado e os preços são acessíveis.

Serviço:
Sanata bar
Sarmiento, 3501
O bar abre todos os dias até às 2h durante a semana, e só fecha as portas quando o último cliente arriar.

6. Uma milonga com vinil  

tango buenos aires

O bar Los Laureles funciona num lugar maravilhoso, um casarão antigo do bairro de Barracas, construído em 1893.  Esse local se destaca pela excelente programação de tango, pela comida e pelo ambiente acolhedor. Outros pontos positivos são a decoração charmosa e, principalmente, a “milonga empastada”, animada somente com discos de vinil. O evento rola somente aos sábados.

O ar de “arrabal” se completa com o tradicional piso portenho, preto e branco, lembrando um tabuleiro de xadrez, e a iluminação meio amarela, de farol antigo. Programação musical a partir de quarta-feira. Durante o dia dá pra almoçar ali a preço camarada.

Serviço:
Los Laureles
Av General Iriarte, 2290

7. O subte tangueiro, um passeio pelo metrô da linha H

Linha H do metrô de Buenos Aires. Foto: Gisele Teixeira
Linha H do metrô de Buenos Aires. Foto: Gisele Teixeira

 

Em Buenos Aires, o tango se infiltra até nas entranhas da cidade, em seu subterrâneo. Embora sem tanto alcance como o de Nova Yorque ou Londres, o metrô portenho se defende bem e convida o visitante a passear pela história de seu ritmo mais famoso. Inaugurado em 1913, o “subte” tem seis linhas.

A mais nova delas, a H (amarela) é conhecida como “Passeio do Tango”. Suas oito estações trazem murais que homenageiam os nomes mais ilustres da música, pintados por artistas renomados da cidade. A sugestão é fazer o passeio num sábado, começando por Corrientes e terminar no Parque Patricios, onde nesse dia acontece uma linda milonga na principal praça do bairro, no final da tarde.

Serviço:
Metrô de Buenos Aires
O metrô abre das 5h às 22h30 de segunda a sábado; de 8h às 22h aos domingos.

Quem quiser se aprofundar mais no mundo tangueiro, recomendo dar uma lida no blog da Gisele. Ela sempre descobre lugares bacanas e conta muitas novidades sobre a capital argentina, entre outras cositas.

Se quiser saber mais sobre tango, tem outros posts aqui no blog:
– Filmes com temática tangueira
– Outros lugares pra dançar tango em B. Aires
– Contrate um táxi-dancer pra tanguear
– Códigos do tango, pra não fazer feio na milonga

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