Viagem e voluntariado na Índia

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Preparação, disposição, objetivo e coragem, talvez esses sejam os ingredientes básicos para quem quer dar uma volta ao mundo, sonho de muitos viajantes.

A Natália, o Rafael e a Luíza, do blog 360 Meridianos, juntaram tudo isso e se aventuraram por 14 países. E o grupo ainda encontrou tempo para trabalhar 6 meses na Índia. Não dá para ignorar a Índia. Ninguém vai ao país e acha que a viagem foi pouco impactante, é um lugar que desperta amor e ódio profundo nas pessoas “, descreve Rafael.

Nessa viagem que durou 10 meses, eles conheceram vários continentes e aprenderam a viver com desapego.Durante um mochilão, a vaidade acaba indo por água abaixo“, sintetiza Luiza.

Nesta entrevista, a última da série Volta do mundo em 12 blogs, os três amigos dão dicas de como preparar uma viagem desse estilo, o que levar na mochila, que tipo de passagem é melhor e dezenas de histórias interessantes.

Com vocês, as aventuras de três mineiros blogueiros que largaram a zona de conforto para viver experiências inesquecíveis!!

– Como surgiu a ideia dessa viagem?

Num bar, quando planejávamos nosso intercâmbio na Índia, alguém falou de brincadeira sobre as passagens de volta ao mundo. Pensávamos que seria impagável, mas descobrimos que não era tão caro assim; as passagens só para a Índia custavam R$ 5 mil, enquanto a de volta ao mundo, com direito a paradas em vários continentes, custava R$ 7.500.

Na época o dólar estava muito barato, o que tornou a decisão mais simples. Dois meses depois, embarcamos para nossa viagem de volta ao mundo.

– Muita gente tem dúvida sobre o que levar na mochila em uma viagem tão longa como essa, que coisas não podem faltar na bagagem de jeito nenhum?

Quanto menos coisas você levar, melhor. A verdade é que não tem muita diferença entre uma viagem de 15 dias e uma de 10 meses. Basta lavar roupas durante a viagem.

A única coisa que pode tornar uma mala maior, durante uma viagem de volta ao mundo, é se houver muitas mudanças de clima: se você vai passar por montanhas nevadas e praias, por exemplo. Isso aconteceu com a gente, o que explica porque cada um levou duas malas. De qualquer forma, era muita coisa.

Uma mala inteira poderia ter ficado em casa tranquilamente. Teria sido bem mais fácil viajar sem aquela tralha toda.

– Luiza, como mulher a gente sabe queacaba precisando de mais coisas que os homens. Como vocês faziam com creme de cabelo, absorvente, cremes para o rosto, etc? Vocês levaram do Brasil ou foram comprando no meio do caminho?

Como a gente não era muito profissional nesse esquema de viajar tanto tempo, eu acabei levando tudo do Brasil – mas nada para fazer estoque, só um potinho de cada coisa. Mas não recomendo isso. Depois de um tempo você percebe que dá para comprar todo tipo de coisa para higiene pessoal enquanto está viajando.

A minha dica é: leve sempre o básico naqueles frasquinhos pequenos da mala de mão, para os primeiros dias. E vá comprando no caminho, sempre em potes pequenos, o que precisar. Só faça questão de levar com você aqueles produtos que você realmente precisa, como um creme específico para pele sensível, por exemplo. E evite coisas como “equipamento” para fazer unha ou vidros grandes de perfume, etc.


– Que tipo de passagem RTW (round the world) vocês indicam mais? Quais são as diferenças entre elas? Tem que ter todos os voos marcados com dia e hora antes doinício da viagem ou dá pra ir marcando pelo caminho?

Para quem precisa ter um roteiro fixo e (já sabe exatamente os países que quer visitar e quando irá para cada um deles) o melhor é a passagem de volta ao mundo vendida pelas alianças de empresas aéreas.

Compramos a nossa pela Oneworld. Por outro lado, quem quer uma viagem menos engessada pode deixar se levar na maré das promoções de passagens aéreas, comprando os trechos conforme eles aparecem.

 No caso da passagem de volta ao mundo é preciso deixar todos os voos marcados. Como a regra permite que a viagem total seja feita em até um ano, algumas vezes nem é possível marcar o voo com tanta antecedência. Isso aconteceu com a gente: tivemos que marcar datas aleatórias e depois ligar para a empresa para fazer as alterações.

Uma dica importante: a empresa que fizer seu primeiro voo será a que vai gerenciar sua passagem de volta ao mundo. Por isso, evite começar a viagem com uma empresa de pior qualidade. Nós começamos com a Ibéria e tivemos muita dificuldade ao longo da viagem por causa disso.

– Vocês usaram companhias low cost no meio do trajeto? Quais? Vale a pena?

Usamos na Ásia. A passagem de volta ao mundo te leva até os grandes centros urbanos, as capitais dos países. Para se deslocar para o interior pode ser necessário pegar outros voos. Fizemos isso na Índia, na Tailândia e na Malásia.

Adoramos a experiência de voar com a Air Asia, que tem preços fantásticos e bastante conforto.

Manali, no Himalaia Indiano
Manali, no Himalaia Indiano

– E a questão do alojamento, vocês ficaram em hotéis, casas de amigos, hostels? Faziam a reserva na hora ou foi tudo planejado com antecedência?

 Em lugares onde o custo de vida é mais alto nós ficamos em hostels. Em outros nós ficamos em hotéis. Na Indonésia e na Tailândia, por exemplo, era possível pagar bons hotéis e pousadas por preços muito baixos.

A reserva era feita com antecedência em todos os países que visitamos, menos na Índia. Como morávamos lá, preferíamos achar o hotel na hora, por conta própria e em condições de conseguir barganhar pelos melhores preços. Dava trabalho, mas sempre funcionava.

– Como é a convivência de três pessoas que ficam juntas o tempo todo durante um ano? Dicas pra não brigar ou entrar em conflito?

Bom, a gente se conhece e viaja junto há anos. Além disso, mais da metade da nossa viagem não foi feita por um grupo de 3 pessoas, mas com 4: uma outra amiga, também da época da universidade, nos acompanhou em metade dos países. Na Nova Zelândia nosso grupo chegou a ter 5 pessoas, no Chile ainda mais, enquanto na Índia nós sempre viajávamos com os outros intercambistas, o pessoal que morava com a gente.

Enfim, na maior parte do tempo nos tínhamos companhia, mas houve longos períodos em que éramos só nós três. E houve muitas brigas, claro, afinal viajar sempre significa enfrentar perrengues. As brigas aconteciam nos momentos de estresse e cansaço.

Acho que o mais importante é ter em mente que as brigas vão acontecer, mas que não precisam ser o fim do mundo. No dia seguinte tudo voltava ao normal.

– Vale mesmo a pena ter um seguro de viagem pra esse tipo de aventura?

Com certeza vale. Não dá nem pra pensar em sair de casa sem um. É aquele tipo de coisa que você faz torcendo pra nunca usar, mas que pode salvar sua vida. Literalmente.

Só a Luíza usou o seguro, sempre na Índia, tanto por doenças que levaram ela ao hospital quanto por um dente quebrado, depois que uma rolha de espumante acertou o rosto dela, no Réveillon.

– Por que vocês escolheram trabalhar na Índia? Foi uma decisão difícil? Como vocês entraram em contato com a empresa?

Na realidade não era voluntariado, era emprego mesmo. Trabalhamos numa empresa de Tecnologia da Informação. Nossa função era escrever textos (em inglês) para alimentar diversos sites que eram clientes da empresa.

O salário era de 300 dólares por mês, o que é bastante dinheiro para o padrão da Índia. Dava pra pagar aluguel, contas e ainda viajar uma vez por mês. Fomos para a Índia pela AIESEC, uma organização internacional de jovens estudantes. Achamos a vaga aqui no Brasil. A viagem de volta ao mundo, foi consequência disso.

– Qual foi a parte mais difícil e a mais gratificante dessa viagem pela Índia?

As diferenças culturais são muito gritantes, a forma de ver o mundo é completamente diferente. É um país de cores, sabores e cheiros diferentes. Enfim, a Índia é única. Inesquecível.

Já estivemos em dezenas de países depois da Índia. Muitos lindos e fantásticos, mas nenhum com uma experiência de viagem tão intensa quanto a Índia.

– Qual é a dica mais preciosa que vocês dariam pra quem está pensando em dar uma volta ao mundo, mas sempre coloca como desculpa; não tenho dinheiro, não tenho coragem, não tenho tempo…

Não adianta querer muito viajar. Para tirar o sonho do papel é preciso planejamento. Coloque metas. Pense o que você tem que fazer a curto e médio prazo. A viagem pode ser daqui um ano ou dois, mas já é possível economizar dinheiro, fazer um planejamento financeiro e profissional.

Sem esse tipo de atitude a viagem provavelmente se tornará um sonho inalcançável.

E para terminar, uma rapidinha com estes super viajantes:

– Uma paisagem: Nova Zelândia
– Uma emoção: conhecer o Himalaia Indiano e a vila do Dalai Lama.
– Uma comida: qualquer comida italiana.
– Não voltaria para: voltaria em todos os lugares, mas ainda tem tanto lugar legal nesse mundo para visitar que prefiro evitar repetições.
– Chorei quando: fui embora da Índia. Chorei de felicidade, já que não aguentavamais viver lá.
– O que não pode faltar na mochila: toda a parafernália eletrônica. Até mesmo porque eu preciso dela para trabalhar.

Quem quiser conferir mais sobre essa volta ao mundo, tem muitos posts legais no blog deles e também um vídeo bem bacana.
Quanto custa uma viagem de volta ao mundo

15 dicas de como viajar gastando pouco

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