Tandil encanta e cativa

Para quem não sabe, eu sou brasileira, mas meus pais são argentinos. Estou morando em Buenos Aires há quase 4 anos e ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer Tandil, a cidade onde minha avó nasceu e meus pais se conheceram.

Nem é porque a cidade fique longe. Tandil está só a 371 km de Buenos Aires. Talvez tenha sido falta de tempo ou outras desculpas dessas que a gente sempre inventa quando não consegue fazer algo.

Meus pais se conheceram nessa cidade num baile de carnaval. Nunca perguntei se eles estavam fantasiados ou como foi esse encontro… Mas, pelo menos, a dívida que eu tinha comigo mesma de conhecer a pequena Tandil já foi saldada. Estive lá com o blogueiro argentino Esteban Mazzoncini, do blog Un viajero curioso. A gente participou do primeiro blog trip de Tandil organizado pelo Instituto Mixto de Turismo da cidade.

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção é o tamanho da cidade. Eu pensava que era um lugar pequeno, meio cidade do interior, mas não. Tandil é grande, tem cerca de 120 mil habitantes, muitos restaurantes, lojas, ônibus, mas ainda guarda esse ar de município pequeno. Pessoas passeando no domingo, vizinhos que se cumprimentam, cachorros que vagueiam sem dono, a igreja cheia no fim de semana, etc.

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Coreto de Tandil
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Adorei os pés de laranja espalhados pela cidade

Na praça principal, a Plaza Independencia, outras coisas também chamaram a minha atenção; os pés de laranjeiras que decoram e dão sombra, e o baú da memória. Imaginem objetos e documentos que foram guardados e enterrados nesse baú para que no ano de 2060 sejam redescobertos por seus cidadãos. Adorei a ideia de preservar o que hoje é importante para que no futuro outras pessoas possam apreciar o que fazia parte da história desse local nestes anos.

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Aí estão enterrados os objetos que serão redescobertos em 2060 (Baú da memória)

O  que fazer
Passeando por suas ruas tranquilas é impossível não notar que Tandil tem mais lojas que vendem queijo e salame do que padarias. É que a cidade é super famosa na Argentina toda pelos embutidos que produz. É quase impossível sair de lá sem provar um, dois ou vários salames. Aliás, a fama é tão grande que os salames de lá têm até denominação de origem (DOC), como é o caso do salame tandilero.

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Um bom ponto de partida é o Circuito do Salame e do Queijo. São cerca de 24 estabelecimentos espalhados pela cidade, a maioria fica no centro, que vendem embutidos de ótima qualidade. As lojas que fazem parte do circuito têm esse símbolo pendurado do lado de fora.

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Eu fui seduzida pelo cheiro salgado e forte e fui entrando em várias. As lojas que mais curti foram Syquet (Calle Rodriguez e Mitre), eles têm uma sala especial só com patas de presunto curados; a famosa Época de Quesos (Calle 14 de Julio e San Martin) tem um pátio super gracinha, perfeito para provar vários dos seus produtos; outro bacana é o Almacen Serrano (Av. Avellaneda e Rodriguez), que tem uma grande variedade de queijos e embutidos diferentes; e pra quem dispensa o luxo e prefere um precinho camarada, encontramos uma vendinha com ótimos preços e produtos, Caombe Regionales (Calle 25 de Mayo e Rodriguez).

Depois de provar essas delícias, foi hora de um pouco de cultura, e nada melhor do que conhecer o passado dessa região através dos objetos do incrível Museo Historico Fuerte Independencia. Uma farmácia com todos os medicamentos, potes, balanças e até o caixa que era utilizado no século passado.

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Imagina sentar em uma pulperia da época em que Tandil era apenas um povoado. O museu retrata esses antigos bares onde as pessoas apeavam o cavalo e davam uma passadinha pra tomar um goró e jogar conversa afiada.

Imitação de uma pulqueria
Imitação de uma pulperia

Além disso, o museu tem salas especiais só com carruagens, carrinhos de bebê e tantos outros objetos que com certeza fizeram parte do dia a dia da minha vó quando ela morava lá.

Onde comer
Saindo do museu, sabe quando você começa a caminhar a esmo e encontra um lugar que te apaixona? Com a Casa Tomada (Calle Fuerte Independencia, 22) foi assim. Esse lugar é um café literário despretensioso e fofíssimo. Uma ótima pedida para provar um bolo e relaxar lendo livros de autores independentes e edições que estão fora do circuito de grandes livrarias.

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Os donos, um grupo de 5 jovens, são super abertos e curtem bater papo com quem aparece por lá. Detalhe para cada objeto de decoração do lugar; peças de máquinas de escrever que viraram quadros, malas antigas que agora são mesas ou caixas de frutas que hoje servem de estante de livro. Ah, não deixe de visitar o quintal do café.

Está gostando de conhecer Tandil? Então não perca as 7 melhores atrações desta pequena e encantadora cidade.

Tandil está cheia de restaurantes e bares descolados. E como a cidade é bem tradicionalista, o primeiro bar que surgiu na cidade, em 1908, contina funcionando até hoje. O Firpo de Lavié, Patrimônio Histórico, é um desses lugares que te transporta no tempo; suas estantes cheias de bebidas, o balcão de madeira original e os pratos de casa de avó são um convite irresistível.

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Durante o dia eles servem comida caseira argentina, e de noite rola um cardápio mais elaborado. Eu sou apaixonada por arroz doce e garanto que ali comi um dos melhores que já provei até hoje. O deles tem algo crocante, tipo açúcar caramelizado. Não consegui descobrir exatamente o que era, mas garanto que é uma delícia.

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E como este post está mais para culinário do que para viagens, lá vai mais uma dica. Em vários lugares você encontra doces caseiros e compotas para comprar. Eu comprei um doce de groselha maravilhoso. Nunca tinha comido essa fruta e amei!! É uma mistura de amargo e doce que combina perfeitamente bem. Experimentei um de maçã com canela que também é uma beleza. Eu fui na loja El Cazador, uma fábrica familiar que faz essas e outras delícias, como doces de figo com nozes ou peras e laranja amarga. www.dulceselcazador.com.ar

Como chegar

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Tandil fica a 370 quilômetros de Buenos Aires. A viagem de ônibus dura cerca de 5h30. Da rodoviária de Retiro (em Buenos Aires) tem 3 empresas que fazem esse trajeto (Condor Estrella, El Rapido e Rio Parana). A gente viajou com a Rio Parana e sinceramente não recomendo de jeito nenhum. Seus ônibus são super velhos e o serviço é bem meia boca. Eu tive que viajar na volta com a poltrona totalmente deitada porque o banco estava quebrado. Como o ônibus estava cheio, não pude nem mudar de lugar e reclamar não adiantou nada.

Quando ir

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A primavera é uma das melhores épocas para visitar Tandil (de setembro até a metade de dezembro). Evite feriados ou férias porque a cidade fica lotada. Como a cidade fica nas serras, mesmo na primavera ou verão vale levar um agasalho leve para a noite.

O Viagem Cult recebeu apoio do Instituto Mixto de Turismo de Tandil, em estadia e passeios durante o blog trip.

2 Comments

  • Oi Cândido, que bom que você gostou do post. Tandil é realmente um destino que vale a visita, tanto pelos queijos e salames como pelas belas vistas! Sobre aluguel de carro, eu não sei com certeza, mas nada que você não posso consultar com uma locadora diretamente pela internet. Eu acho que alguma deve ter. Abraços.

  • Gostei muito das informações. Gostaria de saber se existe em Tandil alguma locadora de carros, onde eu poderia alugar um carro em Buenos Aires e me deslocar para Tandil, devolvendo o veículo neste destino. De qualquer maneira, já vou avisando que alugar carro na Argentina é bem carinho.

    Obrigado desde já!

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