Museu do imigrante, uma volta ao passado

museo del inmigrante
Auntavam tudo o que tinham para cruzar o Oceano Atlântico em uma viagem que muitas vezes durava meses, e não era para nada luxuosa. Alguns vinham sozinhos, seus pais ficavam na Europa e mandavam somente um membro da família para tentar ¨fazer a América¨.

Esse foi o caso do meu bisavô, que saiu da Itália com apenas 11 anos e foi para a Argentina só com seus tios. Quando os imigrantes chegavam em Buenos Aires, desembarcavam bem pertinho de onde hoje fica o chique bairro de Puerto Madero, ao lado do Rio da Plata.

Naqueles anos de 1900, a paisagem era outra ao descer dos grandes navios. A maioria dos imigrantes que chegaram à capital portenha naquela época foram espanhóis e italianos. Aqueles que não tinham parentes, amigos ou algum contato onde ficar na cidade, eram hospedados no Hotel del Inmigrante.

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museo del inmigrante

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Essas enormes salas recebiam quem chegava do além-mar em busca de uma vida melhor. As camas onde os imigrantes dormiam, e muitos outros objetos, fazem parte da exposição. Em cada andar, ficavam alojados cerca de mil pessoas. Além de comida e atenção médica, eles também recebiam aulas de espanhol, e ficavam ali até conseguir um emprego.

Reparem que a arquitetura interna do edifício é higienista. Naquela época, se deu muita atenção para que os espaços fossem grandes, luminosos e arejados. Justamente porque a ideia era desenhar ambientes limpos para evitar a propagação de epidemias.

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Essa é a maquete de um transatlântico que fez o trajeto Bremen (Alemanha) – Buenos Aires, em 1913.

museo del inmigrante
No museu fiquei sabendo que mesmo naquela época era preciso de uma carta convite de algum conhecido ou familiar que estivesse disposto a receber o imigrante deste lado. Isso me fez lembrar da carta convite que a Espanha exige para quem quer visitar o país, como turista, ainda hoje.

As fotos e os objetos mostram como era o dia a dia dos imigrantes que chegavam com pouco dinheiro e muitos sonhos. Em um livro grande era anotado a origem, religião e o porto de saída dos viajantes.

museo del inmigrante

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Gostei de ver objetos antigos trazidos pelos imigrantes, como instrumentos musicais, malas de couro, pentes e espelhos, entre outras coisas.

A exposição ¨Todos los hombres del mundo¨ (Todos os homens do mundo) está organizada em ordem cronológica; desde a saída deles na Europa, passando pela longa viagem, a chegada em Buenos Aires e finalizando no legado que os imigrantes foram deixando no país.

museo del inmigrante

Eu achei super interessante essa visita porque nos ajuda a entender que o tempo passou, o mundo mudou, mas as necessidades básicas do homem continuam fazendo com que a imigração, muitas vezes, seja a única saída.

Hoje em dia, as ondas migratórias mudaram; africanos tentam chegar às costas europeias a qualquer custo, latinoamericanos morrem diariamente tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos e assim por diante.

museo del inmigrante
Pra quem tem curiosidade sobre o passado imigratório da América Latina, recomendo muito a visita ao Hotel del Inmigrante, mesmo porque os europeus também chegaram da mesma forma ao Brasil naquela época.

Uma dica, enquanto estiver passeando pelo museu, não deixe de dar uma espiada pelas janelas (você vai estar no 3° andar), a vista do Rio da Prata de um lado e dos modernos prédios de Puerto Madero do outro, são um belo contraste.

puerto madero

puerto madero

Um fato curioso é que nos edifícios ao redor do museu funcionam as oficinas de migrações da Argentina. É ali o lugar onde os imigrantes fazem seu DNI (RG argentino), mas a maioria já não chega da Europa. Hoje eles vêm de outras regiões do mundo; Paraguai, Bolívia, China e muitos da África.

E pra quem gostou desta história mas, por enquanto, não vai a Buenos Aires, em São Paulo é possível visitar o Museu do Imigrante. Quem tiver curiosidade, aqui tem um post bacana da Italia Ana.

museo del inmigrante
Mais informações

A entrada é gratuita. O museu Hotel dos Inmigrantes fica na Av. Antártida Argentina, 1355. Esse lugar está bem perto da estação de trem de Retiro e do Buquebus (os ferrys que vão para o Uruguai).

A maneira mais fácil de chgar é descer na estação de trem de Retiro e caminhar alguns quarteirões, mas se você não conhece bem Buenos Aires, acho melhor pegar um táxi até lá. Os ônibus que passam ali perto são: 5, 6, 7, 9, 20, 22, 23, 26, 28, 33, 45, 50, 56, 70, 75, 91, 92, 100, 101, 106, 108, 115, 126, 129, 132, 143, 150, 195.

Horário
Abre de terça a domingo, das 11 às 19h.

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