Lençóis Maranhenses, um destino dos sonhos

lençóis maranhenses

“Toda vez que eu via uma reportagem sobre os Lençóis Maranhenses eu pensava em que algum dia eu iria ver os lençóis de cima. E isso aconteceu”, uma amiga me contou pelo Whats App. Quem teve a sorte de conhecer esse lugar maravilhoso é uma super amiga, a Fabíola Sékula. Como eu ainda não tive a sorte de conhecer esse lugar, pedi pra Fa compartilhar a sua experiência aqui no blog.

Ela é quem conta tudo sobre esse destino dos sonhos no Nordeste brasileiro. A Fabíola passou três dias nos Lençóis Maranhenses e descreve o que sentiu quando pisou nas dunas, fez um passeio de barco, tomou banho nas lagoas e ainda sobrevoou a área em um monomotor.

Os olhos da Fabíola combinam com a cor da água da lagoa
Os olhos da Fabíola combinam com a cor da água da lagoa

“Fui com duas amigas e a gente comprou as passagens com cinco meses de antecedência. Detalhe, um mês antes da viagem outra amiga quis ir também, mas os preços das passagens já estavam bem altos. A gente saiu de Curitiba; fomos de Tam e voltamos pela Gol. Fizemos conexão em São Paulo, e de lá o voo durou 4 horas.

Chegamos em São Luis ao amanhecer e fomos buscar o carro na locadora. A gente tava super empolgada. Quando começamos o trajeto o dia estava apenas começando.

Do aeroporto de São Luís até a cidade de Barreirinhas (porta de entrada dos Lençóis Maranhenses) são 265 quilômetros. Levamos 4 horas de carro. A primeira metade do trajeto é bem movimentada e a estrada não é das melhores. A segunda parte tem só uma mão, mas é bem melhor.

Conseguimos chegar em Barreirinhas graças ao Google Maps e esporádicamente ao Waze, só tinha internet em alguns trechos. Depois de tomar o café da manhã e deixar a bagagem na pousada, partimos para o primeiro passeio. Acabamos aceitando a sugestão do dono do hostel e fomos com uma agência que eles nos indicaram.

A primeira surpresa desta viagem foi descobrir que as dunas não ficam no pé da cidade. O parque Nacional dos Lençóis Maranhenses fica afastado da cidade e ele é muito grande, muito mesmo. São 155 mil hectares ao todo; 90 mil são de dunas  e lagoas. O parque é tão grande que abrange três municípios do Maranhão; Barreirinhas, Santo Amaro e Primeira Cruz.

Eu achei que ia sair da área rural de Barreirinhas e ia pisar nas dunas logo em seguida, mas que nada, para chegar à Lagoa Bonita primeiro atravessamos o Rio Preguiças (de balsa) até a outra margem.

lençóis maranhenses

Na balsa os motoristas esvaziam um pouco os pneus pra que o carro ande melhor nas trilhas de areia. Depois da travessia do rio, tivemos duas horas deliciosas de percurso off-road (com direito a muita aventura). Esse trajeto é de areia e terra, no meio da restinga. Pelo caminho vimos mata, córregos, lagoas, cajueiros e muita areia. Também passamos por algumas casas rústicas. Além de aproveitar para respirar muito ar puro durante o trajeto, reparei que algumas famílias moram lá por gerações e têm um vida muito simples.

lençóis maranhenses
Finalmente, o momento tão esperado começou quando estacionamos em frente de uma duna alta. Descemos e começamos a caminhar pra cima. O esforço vale pela vista incrível que temos. A mata fica para trás e na sua frente um mundo de curvas e mais curvas de areia super fina e muito branca. O visual é completado pelas lagoas e um céu lindo, imenso.

A paisagem de areia muda constantemente por causa dos ventos. A água das lagoas vem da chuva e da elevação dos lençóis freáticos.

lençóis maranhenses

É uma delícia!! Eu tinha vontade de tirar muitas fotos, pois cada ângulo é diferente e cheio de novas texturas! O passeio a pé pelas dunas durou quase uma hora e a gente também aproveitou para entrar em algumas lagoas. A água estava morna, deliciosa!

lençóis maranhenses lençóis maranhenses

Durante a volta, fiquei repassando as imagens na minha cabeça e me deliciando de novo com tudo o que vi. Queria mesmo é que tivesse durado mais. Para esse passeio a gente pagou R$70 por pessoa, por meio período.

No segundo dia fomos para Ponta do Atins. Fizemos um passeio que durou o dia todo.

lençóis maranhenses

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O visual lá é outro, mas também tem restinga, dunas e lagoas. Gostamos muito e tivemos mais tempo para aproveitar as lagoas, que são muitas. Realmente, os lençóis deveriam ser uma das sete maravilhas naturais do mundo. Pagamos R$120 por pessoa.

No terceiro dia fizemos um passeio de barco pelo Rio Preguiças (R$70 por pessoa). O visual é muito lindo, a natureza exuberante, muito verde pra ver. Foi lindo!!

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Foram 2 horas de passeio de ida. Depois de um trajeto longo no rio, entramos em um braço do rio, passamos por uma área de mangue e depois do outro lado encontramos novas dunas e lagoas. Ali fizemos uma parada de meia hora para curtir as lagoas, depois retornamos ao barco e seguimos até chegar em uma ponta de areia onde paramos pra almoçar. Dica, atrás desses restaurantes, depois de apenas 8 minutos de caminhada, se chega à uma praia linda, extensa e com muita brisa.

Na volta, tivemos tempo de caminhar até o Farol Preguiças ou de Mandacaru. A vista de 360° de cima do farol e o ventinho fresco são um prazer.

lençóis maranhenses

Vista do farol
Vista do farol

No fim do dia ainda tivemos tempo para um sobrevoo em monomotor. Pude apreciar aquele cenário de outro ângulo. Valeu cada centavo, (R$ 300 por pessoa), foi um sonho realizado. O voo dura meia hora e impressiona pela imensidão da mata e das dunas com as suas lagoas.

Incrível vista do monomotor
Incrível vista do monomotor

Ao todo, passamos 3 dias nos Lençóis Maranhenses, e usamos outros dois para viajar. Por isso, recomendo reservar pelo menos cinco dias para visitar a região, já que a gente não teve tempo de fazer alguns passeios, como o de quadriciclo que ficou pra próxima!!”

Onde ficar

Depois de pesquisar muito pela internet, acabamos escolhendo o hostel Paraíso do Cajú, pelo preço e pelas fotos. E a nossa decisão foi perfeita. O hostel fica em uma chácara, na parte alta da cidade, então tem ventilação e vistas privilegiadas (vista com lagoa e tudo)

A casa é de adobe e tem varandas grandes. A gente ficou num quarto com 3 camas, mas também tem lugar para quem prefere dormir em barraca ou na rede. A casa é coberta com folhas de carnaúba e não têm forro. O café da manhã é delicioso e os proprietários são fofos. Ah, também moram lá três cachorros e uma gatinha charmosa.

Se quiser reservar um quarto na pousada Paraíso do Cajú pelo Booking, é só clicar aqui.

Quando ir

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A melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses é quando as lagoas estão cheias (de maio a setembro). Não é recomendável ir no verão, de novembro a janeiro, porque é período de estiagem. Ou seja, quando as lagoas estão mais vazias.

Onde comer
Não deixe de provar a tapioca da região. Para jantar, recomendo o restaurante “A Canoa”, o ambiente é bem charmoso. Também gostei muito da comida, da vista e do ambiente do Deck Bistrô, que fica ao lado da igreja de Nossa Senhora da Conceição, na beira do rio.

Dicas
– Se puder, faça o passeio de barco pelo rio na ida e volte de quadriciclo. Ir e voltar em quadriciclo também deve ser empolgante, mas um pouco cansativo. Um passeio casado de barco e quadriciclo acho que seria perfeito. A gente fez todos os passeios com a Ilha Turismo agência e recomendamos.

– Bem perto do restaurante A Canoa tem um centro de artesanato bem interessante e com bons preços. Os artesanatos de fibras naturais são lindos e são um ótimo presente que incentiva a cultura e a economia local.

– Do aeroporto de São Luís tem traslados para Barreirinhas, com preços de R$50 a R$150 por pessoa, por percurso. Mas como estávamos em 3 pessoas, o custo de alugar um carro compensou e assim também tivemos a comodidade de passear à noite sem depender de táxi. Mas se a pousada que você escolher for bem central, usar os traslados ou mesmo o ônibus são uma ótima pedida. Todas as agências buscam os turistas nas pousadas para fazer os passeios na região.

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Mais informações sobre o Parque Nacional aqui.

Todas as fotos são da Fabíola Sékula, autora do post de hoje.