Ilha de Ometepe, um lugar para descansar

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Lentamente o vento foi ajudando a diminuir um pouco a sensação de calor, enquanto devargazinho a imagem de uma ilha com dois grandes vulcões foi se aproximando bem na minha frente. Depois de uma hora de viagem de ferry pelo Lago Nicarágua, o maior lago da América Central, chegamos a famosa ilha de Ometepe.

Essa ilha é natureza em estado puro. Palmeiras gigantes, macacos pulando pelas árvores, galos nas calçadas, bois passeando tranquilamente e até mesmo porcos atravessando as ruas. Acho que não é à toa que Ometepe foi declarada Reserva da Biosfera.

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Nós passamos quatro dias nessa ilha nicaraguense que é realmente um oásis de tranquilidade. São apenas 276 km quadrados, mas Ometepe é a maior ilha do mundo dentro de um lago.

As suas principais atrações são sem dúvida os seus vulcões, o Concepción (com 1610 metros de altura) e o Maderas (com 1394 metros). Além do seus vulcões, outro lugar famoso é o Ojo de Água (Olho de Água), uma grande piscina natural rodeada de muitas árvores gigantes. Os locais costumam passar o fim de semana com as famílias por lá. Quando fomos estava cheio de gente fazendo piquenique e curtindo um dia de muito relax.

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Apesar de ser água doce, em Ometepe também tem praia. Uma das mais famosas é Santo Domingo, que fica perto de Santa Cruz. O mais legal é que parece mar. Tem areia e até ondas por causa do vento, mas quando você entra na água… é doce!!

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Santo Domingo é uma das maiores praias. Um dia até tivemos a sorte de andar a cavalo pela praia. Vimos um local passeando com seus cavalos no lago e perguntamos se ele não os alugava. No dia seguinte lá fomos nós felizes cavalgar um pouco. Alegria geral!!

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Onde ficar
Apesar de Ometepe ainda não ser um destino super turístico, ainda bem, existem várias opções de alojamento. A gente só conheceu o lado de Balgue e recomendo porque é bem tranquilo, longe do porto e do burburinho.

No meio da natureza, um lugar bem rústico, é o Jardín del Búho.

Nós passamos uma noite lá. O dono é um pintor e tem alguns quartos para alugar. O lugar é bem simples. Para o meu gosto fazia muito calor por causa do telhado de metal, mas para quem gosta de um lugar bemmmmm tranquilo, essa pode ser uma opção.

Também na região de Balgue, a gente dormiu no El Zopilote, um lugar muito diferente e alternativo. São várias cabanas no meio de um bosque (é preciso subir uns 10 minutos a pé por uma trilha) com um estilo bem ecológico e um ambiente, eu diria, meio hippie.

Essas são as cabanas do Zopilote
Essas são as cabanas do Zopilote

Os banheiros são compartilhados, com direito a tomar banho rodeado de bambus e fazer as necessidades sem ter que puxar a descarga. Em vez de água, você tem que jogar duas xícaras de casca de arroz num improvisado vaso sanitário. Por isso digo que a experiência Zopilote é algo beeeeeem diferente. Eles também têm um restaurante onde servem comidas naturais e saudáveis e todo mundo fica reunido por lá porque já é a única parte onde tem wifi.

E no último dia nós fizemos um upgrade, já que estamos de honeymoon blogger, ficamos hospedados no Xalli.

xalli ometepe xalli ometepe

Um dos melhores hotéis da região. São apenas sete quartos em casinhas de frente ao lago. Foi uma delícia almoçar e jantar com vista ao lago e uma brisa que nos fez companhia o tempo todo.

Transporte

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Na minha opinião, a melhor forma de se locomover em Ometepe é alugando uma bicicleta ou scooter. As distâncias são longas e vale a pena explorar um pouco esse belo lugar. Quando estivemos lá o aluguel de uma bike era de US$6 por dia e de uma scooter, US$25.

Tem transporte público circulando também, mas são poucos ônibus e não passam com muita frequência. Para ter uma ideia de preço, nós chegamos em Moyagalpa e pegamos um táxi até a cidadezinha de Balgue e pagamos US$20.

Como chegar

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Por enquanto só é possível chegar a Ilha de Ometepe por ferry ou lancha. Pelo lago é necessário ir até a cidade de Rivas e depois ao Porto San Jorge. De lá saem vários ferrys todos os dias a Moyagalpa, o principal porto da ilha. Apesar das embarcações serem meio velhas, a viagem de 1h é tranquila e confortável.

Da cidade de Granada também é possível chegar via ferry até a parte norte de Ometepe, em Altagracia, mas não é sempre que essa via está disponível. Desde Granada são 4h até Ometepe.

Futuro incerto
Durante os dias que passamos lá conversei com alguns locais e li várias notícias que me deixaram um pouco preocupada, a construção de um mega canal. É que boa parte dessa incrível ilha, sua fauna e flora podem diminuir se esse controvertido canal que ligaria os oceanos Atlântico e Pacífico for construído nos próximos anos. A história é assim, um mega empresário chinês parece estar disposto a colocar todos os milhões de dólares necessários para construir um canal interoceânico. Semelhante ao Canal do Panamá, só que bem maior e, segundo dizem as notícias locais, com um porte para receber navios bem maiores que os que hoje passam pelo famoso canal panamenho.

De um lado está o presidente do país, Daniel Ortega, e vários políticos que dizem que essa construção vai mudar a vida dos nicaraguenses para muito melhor. Vale lembrar que a Nicarágua é um dos países mais pobres da América Latina. E do outro lado estão os moradores de Ometepe e os ecologistas que afirmam que se esse canal for construído, boa parte da riqueza natural e animal da ilha e dos seus arredores vai se perder.

Durante os dias em que passei em Ometepe foi impossível não pensar nesse bendito canal e a minha conclusão é que muitas vezes os avanços são necessários mas que as vezes os custos são muito altos. Sem falar que as promessas costumam ser muito boas, mas na hora de dividir as riquezas, o dinheiro sempre sempre fica nas mãos de poucos.

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