Aracataca, a cidade de Garcia Márquez

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Acho que Aracataca, esse lugar de nome engraçado, não estaria no mapa do mundo se Gabriel Garcia Márquez não tivesse nascido nessa pequena cidade do interior colombiano onde o sol castiga sem piedade.

Estando na Colômbia e tão perto dali, eu não quis deixar de conhecer essa cidadezinha para tentar seguir um pouco os passos da infância desse famoso escritor. Na verdade, eu queria mesmo era conhecer o lugar que tanto inspirou Gabo, como era conhecido, a escrever suas diversas obras, como o famosíssimo livro Cem anos de solidão.

Cheiro de goiaba, borboletas amarelas, plantações de bananas, ruas de terra e a casa dos seus avós, onde ele viveu até os 9 anos de idade, foram cenários e lembranças recorrentes que aparecem em muitas obras do escritor colombiano.

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Saímos de Santa Marta e 2h depois chegamos em Aracataca. O calor desse lugar me recebeu de braços abertos e ficar alguns segundos longe da sombra não foi fácil. Depois de encontrar um lugar para dormir e deixar as mochilas, almoçamos em um restaurante simples e fomos conhecer a maior atração de Aracataca, a casa onde Garcia Márquez viveu durante a sua infância.

Branca, grande, com um belo jardim e vários cômodos, esse foi o lar dos avós de Gabo durante muitos anos. Pelas paredes da casa há várias frases dos seus livros espalhadas. Uma das que mais me marcou e me emocionou, porque acabei lembrando da casa da minha avó onde eu costumava passar as minhas férias em Buenos Aires foi: ¨Minha lembrança mais viva e constante é da casa de Aracataca, onde morava com meus avós. Todos os dias acordo com a impressão de que sonhei que estou nessa casa. Como se nunca tivesse saído dessa casa velha e enorme.

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O quarto dos avós, do coronel Nicolás Márquez Mejía e da avô Tranquilina Iguarán Cotes, a grande sala que recebia sempre muitas visitas, o quarto dos fundos cheio de tralhas, a casinha no jardim onde viviam os empregados… é possível percorrer todos os aposentos e tentar imaginar como foi a vida de Gabo ali.

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Esse era o quarto de Garcia Márquez

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Fiquei mais de uma hora passeando em cada canto e pensando na sua infância. Esa casa que hoje é um museu não é a original. Ela foi reconstruída, guardando as proporções e os planos da original, e está exatamente no mesmo lugar da grande casa que Garcia Márquez tanto sentiu saudades depois que saíu de Aracataca.

Esse precioso lugar que o escritou imortalizou e reviveu diversas vezes no livro Cem anos de solidão. Obras que deram a ele o prêmio nobel de literatura em 1982.

Saímos da casa e fomos direto ao edifício onde antigamente trabalhava o seu pai, o telégrafo. Atrás da igreja principal, hoje em dia esse lugar é uma espécie de museu, bem pequeno e simples, com várias obras do escritor e algumas máquinas de escrever e telégrafos antigos.

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Outro lugar que visitei é a famosa estação de trem de Aracataca, também mencionada em Cem anos de solidão. Por ali passavam vagões cheios de bananas da United Fruit Company, que era o produto principal da região naquela época. Hoje essa estação está quase sem vida e só recebe a visita de alguns turistas que aparecem para bater alguma foto e dos trens que circulam diariamente por lá, mas em vez de bananas, passam carregados de carvão.

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Aracataca é uma cidade pequena, onde a vida passa devagar e tenho certeza de que o calor abrasador é o maior culpado pelos passos lentos dos seus cidadãos. É comum ver gente sentada do lado de fora jogando conversa fora com os vizinhos ou dando alguma informação aos poucos turistas que passeiam por lá em busca de algo que possa transportá-los ao mundo de Macondo, esse lugar inventado de realismo mágico, nos livros do famoso escritor colombiano.

Depois de perguntar a várias pessoas, demos com um ex-secretário de cultura da cidade que nos contou que o seu sogro era um dos melhores amigos de Garcia Márquez. ¨Toda vez que ele vinha à Colômbia, Gabo pedia ao meu sogro que preparase um sancocho trifásico (uma sopa de carnes típica da região). Essas experiências lindas que mantivemos com Gabo, do ponto de vista familiar, para nós é muito importante e têm muito valor histórico¨, me contou Fabián Marriaga.

Não demorou muito até que apareceu outro homem e se juntou a nossa conversa. Depois de alguns minutos, Oscar nos trouxe um antigo exemplar de Cem anos de solidão. Com as páginas amareladas e uma dedicação especial; para Oscar, del amigo Gabriel, 83. Orgulhoso, Oscar segurava o livro como se fosse um troféu, enquanto seus amigos diziam que esse livro com essa dedicatória deveria valer uma fortuna hoje.

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Em Aracataca é comum ouvir falar de Gabo ou de alguma pessoa mais velha que o conheceu pessoalmente. Até na boca dos mais jovens o nobel deixou a sua marca. ¨Hey, hey. Eu sei recitar o início de Cem anos de solidão, quer ver?¨, gritou um menino enquanto a gente passeava. E mais uma vez a gente sentou na sombra de uma praça para ouvir alguém falar de Garcia Márquez.

Assista ao vídeo que fizemos em Aracataca; na casa de Garcia Márquez, na estação de trem e as entrevistas de pessoas que o conheceram pessoalmente.

E foi assim, aos poucos, com a ajuda dos simpáticos aracataquenhos que consegui me sentir um pouco no mundo inventado de Macondo e feliz por ter conhecido essa cidade de nome engraçado.

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Mais informações
Aracataca fica a 85 km de Santa Marta, na região norte da Colômbia. Um dia é mais do que suficiente para conhecer a cidade. Além das atrações que citei aqui, não tem muito mais para fazer por lá. Seja na época do ano que for, prepare-se para encarar um calor quase insuportável.

Realmente não acho necessário dormir em Aracataca. A gente acabou ficando uma noite mas não recomendo o lugar onde ficamos porque era tão simples que o quarto não tinha nem janela, quem dirá ar condicionado. Foi difícil pegar no sono com aquele calorão. Por enquanto, a cidade só tem um hostel decente, o antigo Gipsy Hostel (que hoje tem outro nome, mas não lembro qual é). Esse foi o melhor lugar que encontramos.

gabriel garcia marquez

2 Comments

  • Que bom que você gostou das dicas. Tomara que goste de Aracataca tmb. Só se prepare para o calor lá que é terríiiiivel. Abraços.

  • Gostei dá dica, pretendo ir ao país e não queria deixar de ir A cidade, também quero conhecer a “Macondo”

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