Guia para visitar San Blas

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Que o Panamá tem ótimas praias não é segredo pra ninguém. Agora não é todo mundo que sabe que esse país tem um arquipélago com uma ilha para cada dia do ano. Isso mesmo! San Blas é assim, tem mais de 365 ilhas!! A gente passou dois dias lá durante a nossa #HoneyMoonBlogger e conto neste post tudo o que você precisa saber para visitar esse lugar incrível no Caribe.

Não é fácil chegar lá, mas o esforço vale muito a pena. Quando você vai se aproximando, a paisagem parece cartão postal; mar azul, várias ilhas com coqueiros e algumas casinhas com teto de palha e paredes de bambu. As ilhas são tão pequenas que você consegue dar a volta nelas em menos de 10 minutos.

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Além do lugar ser incrível, a parte mais curiosa é que o Arquipélago de San Blas pertence aos Kunas. Os indígenas locais, da comarca Kuna Yala, são os donos há várias gerações. Cada ilha pertence a uma família e todo o arquipélago é independente do país e tem suas próprias regras e leis. Por exemplo, um Kuna nos contou que estrangeiros ou panamenhos não podem ser donos das ilhas e de nenhum negócio dentro delas.

Esta é a bandeira dos Kunas
Esta é a bandeia dos Kunas

Neste post você vai encontrar toda a informação que precisa para visitar San Blas; como ir, quanto custa, quanto tempo ficar, quais ilhas visitar e várias dicas.

Como chegar
Como todo paraíso que se preze, chegar nem sempre é tão fácil, né? E San Blas não é diferente. Da capital panamenha são 2h30 de carro, por uma estrada linda, sinuosa e com muita vegetação.

Só que esse trajeto só pode ser feito com carros 4×4. Antes de chegar ao porto, quando se chega ao território Kuna, há uma espécie de barreira e eles só deixam passar carros com tração nas 4 rodas.

Depois do passeio de carro é hora de pegar uma lancha até as ilhas. Há dois pequenos portos, um próximo do outro; Carti e Barsukun. O trajeto em lancha vai depender da ilha que for visitada. As mais próximas do porto ficam a uns 25 minutos, enquanto outras podem ficar até a 1h de distância de lancha.

Esse é o porto de Carti
Esse é o porto de Carti

Como a distância é grande, é preciso sair bem cedinho da capital para aproveitar bem o dia, ainda mais se a pessoa vai fazer um bate e volta.

Uma maneira mais rápida para chegar a San Blas é de avião, mas é um pouco mais caro. A Air Panamá tem voos da Cidade do Panamá (do aeroporto de Albrook) até as ilhas. A viagem de avião dura cerca de meia hora e o avião aterrisa na ilha El Porvenir.

Outra opção, talvez a mais bacana, é a de conhecer San Blas de veleiro. Esses passeios costumam durar de 3 a 5 dias e geralmente saem ou vão para Cartagena (Colômbia). Obviamente essa opção é mais cara, mas dessa maneira dá para conhecer várias ilhas e dormir nos veleiros durante à noite.

Assista o vídeo que fiz em San Blas e comece a se deliciar com esse paraíso.

Como organizar a viagem

Kunas, os donos das ilhas.
Crianças Kunas

O primeiro passo é ver qual ilha visitar e depois conseguir o contato (muitos Kunas usam Whatsapp) do barqueiro e do alojamento, caso queira passar uma ou mais noites em alguma ilha.

Há muitas agências que vendem pacotes e intermediários que cobram a sua parte fazendo os arranjos. Se você quer economizar, faça tudo você mesmo. É mais trabalhoso mas é mais econômico. A única parte que você realmente vai depender de alguém é o transporte até o porto.

Depois veja se você vai querer comer nas ilhas ou se vai levar o seu próprio alimento, opção que acho melhor e recomendo.

Quanto custa
Visitar San Blas não é um passeio barato, mas vale o investimento. O deslocamento e o alojamento são as partes mais caras, mas tem algumas maneiras de economizar. Por exemplo, se você levar a sua própria comida e se dormir em barraca, já dá pra economizar um pouco.

Estes são os valores do que a gente pagou quando fomos em janeiro de 2016. Veja que as taxas e a alimentação são por pessoa.

    • Transporte (ida ou volta) da Cidade do Panamá ao porto dos Kunas – 25 dólares
    • Entrada ao território dos Kunas – 20 dólares (estrangeiros); residentes ou panamenhos pagam 5 dólares
    • Taxa de embarque (no porto) – 2 dólares
    • Ida e volta em lancha até alguma ilha – 25, 30 dólares
    • Entrada a Isla Perro – 3 dólares
    • Jantar na ilha (sem bebida) – 10 dólares
      Café da manhã – 5 dólares
    • Aluguel da barraca por dia (para 2 pessoas) – 30 dólares
    • Aluguel das cabanas (por dia) – de 45 a 50 dólares (com alimentação incluída)

Pouco luxo

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A infraestrutura da maioria das ilhas é bem simples. Não vá esperando luxo ou conforto porque a frustração pode ser grande. Nas ilhas que oferecem alojamento para pernoitar, os quartos são feitos de bambu com tetos de palha, camas do mesmo estilo e pé na areia. Os banheiros costumam ficar do lado de fora e são compartilhados. Alguns donos de ilhas estão investindo um pouco mais e fazendo quartos de alvenaria.

Os banheiros costumam ficar do lado de fora
Os banheiros costumam ficar do lado de fora

Se por um lado a falta de conforto pode ser um ponto negativo, por outro lado acho que combina bem com a beleza dessas praias e quanto mais rústico, melhor.

A gente passou uma noite acampando numa barraca na Isla Perro. O lugar é lindo e você fica se sentindo meio Robinson Crusoé porque é natureza em estado puro e pouco conforto.

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Essa é a barraca que a gente dormiu

Eu gostei bastante da experiência, mas só uma coisa me deixou bem incomodada, não tinha água doce nos chuveiros. Ou seja, depois de passar o dia no mar, quando fui tomar banho me dei conta de que era água direto do mar mesmo, nem sequer era salobra (desalinizada). Confesso que saí do banho pior do que entrei, toda grudenta e com o cabelo parecendo uma palha.

Na volta conversei com outros viajantes e alguns me disseram que nas outras ilhas tinha sim água desalinizada nos chuveiros. Então percebi que na Isla Perro a falta de água doce nos chuveiros é pura e simplesmente porque os ¨donos¨ dessa ilha não querem investir e confesso que se voltasse, não dormiria lá de novo por conta disso. Foi só uma noite, mas dormir com o corpo todo grudento não foi uma boa experiência. Além disso, os banheiros são bem simples e algumas vezes estavam sujos.

Qual ilha escolher

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Vale a pena dar uma pesquisada antes de ir a San Blas para escolher qual ilha se adapta melhor ao que você deseja. A maioria é parecida; areia, mar azul, coqueiros e sombra. O que muda um pouco é a infraestrutura na hora de dormir, cabanas simples, barracas e o lugar onde se faz a refeição.

Nós passamos a noite na Isla Perro, uma das mais populares de San Blas por vários motivos. Seu maior atrativo é um barco que afundou e ficou ali encalhado. Como o barco está literalmente na frente da ilha, dá para ver o seu interior somente com snorkel e um pouco de fôlego.

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Esse é o barco afundado
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A melhor rede de vôlei do mundo

Além disso, na areia tem uma rede de vôlei bacana e a outra razão para que essa ilha seja uma das mais visitadas é a proximidade com o porto. De lancha são mais ou menos 30 minutos.

O cardápio foi bem escasso e sinceramente não gostei nada da comida. O jantar foi peixe frito com uma salada bem mais ou menos, e no café da manhã um omelete frio (que eu acabei nem comendo), pão murcho e um pouco de leite condensado. Sem falar que o jantar custou 10 dólares por pessoa (sem bebida) e o café da manhã, 5 dólares.

Achei que por esse valor os Kunas poderiam ter caprichado bem mais. Fiquei com a sensação de que eles querem muito o dinheiro dos turistas, o que não acho errado, mas querem dar muito pouco em troca. Por isso, meu conselho é levar a comida de casa. Assim a pessoa não se decepciona, come o gosta e na quantidade que deseja.

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Uma mulher kuna bordando as molas
Detalhe dos enfeitos coloridos dos Kunas
Detalhe dos enfeitos coloridos dos Kunas

Os Kunas vendem água de coco, cerveja, água, refrigerantes, bolachas e alguns chocolates. Os preços não são baratos, mas também não é nada exorbitante.

A outra ilha que visitamos foi Chichime. Passamos o dia lá com um amigo que mora no Panamá e nos deu a dica. Levamos o nosso almoço de casa mesmo, então não sei como são as refeições ali. Gostei do lugar e a praia era bonita e tranquila.

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Todo mundo curtindo um piquenique no paraíso (Chichime)

Se você vai fazer um bate e volta, então tente escolher uma ilha que fique mais próxima do porto para perder menos tempo no translado e curtir mais a praia.

O Melhores Destinos tem um material ótimo com descrições das ilhas e alojamentos mais requintados em San Blas.

Quanto tempo

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Queria que esse dia não acabasse mais


Como San Blas é um lugar único no mundo e chegar até lá não é tarefa fácil, realmente recomendo ficar pelo menos uma noite em alguma ilha. Sim, não tem muito conforto nas ilhas, principalmente se você não quer gastar muito, mas vale o esforço.

Nós ficamos 2 dias inteiros em San Blas e foi suficiente para conhecer 2 ilhas, passar uma noite e conversar um pouco com os Kunas, para saber como é a vida deles e um pouco mais da sua cultura e tradições.

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Essas são as molas, artesanato local

Para quem quiser gastar menos, é possível ir só para passar o dia. Pasadía, como dizem no Panamá.

Quando ir
Quase sempre faz calor em San Blas e a temperatura do mar é sempre agradável. Os meses de chuva são de maio a outubro. Nessa época pode chover tanto que passar pela estrada pode ser tarefa difícil.

E a melhor dica é não visitar San Blas nos fins de semana ou feriados porque nessas datas os panamenhos costumam lotar as ilhas.

Dicas

  • Celulares quase não funcionam nas ilhas, mas não se preocupe que você só vai precisar dele para tirar fotos. Nesse paraíso o segredo é descansar e esquecer do resto
  • Não esqueça de levar o seu passaporte porque na entrada ao território Kuna é preciso mostrar- Leve protetor solar, repelente, boné ou chapéu
  • A eletricidade pode ser escassa nas ilhas, por isso é bom levar baterias e carregadores de celular extra- Se for dormir nas ilhas, leve um lençol porque os que estavam lá não estavam muito limpos. Na barraca onde a gente dormiu tinha dois colchões, mas não estavam lá essas coisas. Por isso vale levar um lençol pra dormir na barraca também.
  • Quando embarcar na lancha, prepare-se para se molhar bastante. O trajeto no mar costuma ser meio movimentado e quase todo mundo termina bem molhado. A minha dica é guardar a roupa na mochila e entrar na lancha só com o biquini/calção e uma canga ou toalha. Os kunas guardam as mochilas e os equipamentos no interior da lancha, por isso fique tranquilo que isso não molha.
  • Se quiser economizar, não esqueça de levar água e a sua comida. Os preços dos alimentos nas ilhas são um pouco elevados e a comida é bem simples e pouco saborosa.

Quando estive organizando a minha viagem para San Blas, um dos blogs que mais me ajudou foi o da Lala Rebelo, que tem vários posts sobre as ilhas e dicas incríveis sobre esse destino.

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Até a próxima, San Blas

Você já conhece San Blas e tem alguma dica para compartilhar? Deixe seu comentário aqui que vou adorar saber.