Refugiados, sejam bem-vindos

wewelcomerefugees

Você sabia que se a gente pudesse juntar todos os refugiados do mundo em um único lugar esse seria o 21° país mais populoso? Atualmente, nada menos do que 65,3 milhões de pessoas já tiveram que abandonar a sua casa, bairro, cidade, nação para não morrer nos últimos anos. Para ter uma ideia melhor do que esse número representa, 24 pessoas por minuto foram obrigadas a abandonar seus lares. Nada menos do que 34 mil pessoas por dia!

Do conflito que mais ouvimos falar hoje em dia é sobre a grave e triste crise humanitária da Síria, mas também não podemos esquecer que existem outros conflitos que geram milhares de refugiados, como é o caso do Sudão do Sul, Eritreia, Somália ou Nigéria.

Segundo dados da Acnur, a metade dos refugiados do mundo são de três países; Síria (4,9 milhões), Afeganistão (2,7 milhões) e Somália (1,1 milhões). Destes, 51% são menores de idade.

Foto: adraargentina.org
Foto: adraargentina.org

Ando lendo muito sobre o assunto e queria compartilhar vários pensamentos com vocês. Muitas vezes as pessoas confundem os termos imigrante e refugiado. Estas duas palavras não são sinônimos, gente. Um imigrante é uma pessoa que decide por vontade própria deixar o seu país por um tempo ou para sempre, mas que não corre perigo de vida se ficar onde nasceu. Já um refugiado é aquele que tem que deixar o lugar onde mora porque corre sério risco de morrer. Seja por guerra, conflitos armados ou perseguições políticas. Ou seja, um refugiado também é um imigrante, mas um imigrante nem sempre é um refugiado.

Migração sempre foi um assunto que me chamou a atenção e me tocou de perto. Eu já morei em 5 países e fui imigrante na Inglaterra, na Itália, na Espanha e agora mesmo no Argentina. Sei bem como é difícil recomeçar em cada lugar, e olha que me mudei porque quis. Ninguém me obrigou. Aprender um novo idioma, fazer novos amigos, conseguir um trabalho, tudo isso é difícil, mas acho que o mais difícil mesmo é driblar o preconceito e a xenofobia.

Foto: losreplicantes.com
Foto: losreplicantes.com

Muitas pessoas esquecem que o Brasil, a Argentina, a Inglaterra, os Estados Unidos, assim como tantos países do mundo, devem grande parte da sua história aos imigrantes. Japoneses, libaneses, europeus, sírios, africanos, são tantas as nações que um dia imigraram para o Brasil que todas elas ajudaram o nosso país a ser um lugar tão rico culturalmente, entre tantos outros benefícios.

Desde que o mundo é mundo o homem foi se mudando e procurando melhores oportunidades para se desenvolver e crescer. Entre 1870 e 1930, durante as duas Guerras Mundiais, ditaduras e crises econômicas, milhares de europeus cruzaram o Atlântico para ¨fazer a América¨ e com eles trouxeram os seus costumes, pratos típicos, jeitos de se comunicar e tantas outras riquezas que, aos poucos, foram incorporadas também pelos nativos.

Um lugar super interessante em Buenos Aires que conta essa parte da história é o Museu do Imigrante e eu super recomendo a visita.

museo del inmigrante

Como vocês já notaram, este não é um post sobre viagens, mas acho que as duas coisas estão muito interligadas; viagens e imigração. Repare como geralmente um turista é visto com bons olhos, um imigrante mais ou menos e um refugiado quase sempre é o que mais sofre preconceito.

Felizmente, o Brasil tem aberto as suas fronteiras e recebido muitos haitianos e sírios nos últimos anos. Mas em questão de números, os países que mais acolheram refugiados nestes últimos tempos são Turquia, Paquistão, Líbano, Irã, Etiópia e Jordânia.

Arte: Acnur
Arte: Acnur

Aqui em Buenos Aires, onde moro atualmente, conheço muitas pessoas que são solidárias e querem ajudar os refugiados, principalmente os sírios. Mas também conheço algumas, principalmente àquelas que se escondem por trás de um nome falso nos comentários dos jornais, que são xenófobas e acham que se um refugiado for morar em seu país essa pessoa vai tirar o trabalho de outro e por aí vai.

Sei que esta é uma questão complicada e cheia de visões diferentes, principalmente quando entra em jogo a religião de cada um.

Quando eu cheguei em Londres, em 2001, eu falava pouco inglês e, aos poucos, fui melhorando até que consegui o meu primeiro emprego num Burguer King e depois num Starbucks. Depois de três anos, acabei trabalhando também em um jardim de infância como auxiliar de professora. Aprendi, ensinei e convivi com estrangeiros o tempo todo.

Da época de Londres. No bar com amigas turcas, brasileiras, mexicanas e tchecas.
Da época de Londres. No bar com amigas turcas, brasileiras, mexicanas e tchecas.

Hoje, aqui em Buenos Aires, sou voluntária no Refugio Humanitario Argentino, uma organização que está ajudando a trazer famílias sírias pra cá. Também estou trocando aulas de espanhol por árabe. O Ibrahim, meu professor, veio para Buenos Aires com a sua irmã, enquanto a sua esposa e os seus dois filhos na Síria esperam poder imigrar também. Primeiro ele quer aprender espanhol para depois tentar um emprego na sua área, engenharia. O caminho não é fácil e ele sabe, mas todas as semanas quando nos vemos Ibrahim faz questão de mostrar as palavras novas que aprendeu e o brilho nos seus olhos são a sua marca registrada.

Existem muitas maneiras de ajudar os refugiados; fazendo voluntariado, divulgando notícias, doando dinheiro para algum projeto ou entidade… Todos podemos fazer alguma coisa, mesmo que pareça pequena. E eu acredito que uma das maiores começa com a não discriminação. O mundo é feito por todos nós. Refugiados, vocês são bem-vindos!!

refugees

Qual é a sua opinião sobre este assunto? Vou adorar saber. É só deixar um comentário aí embaixo!

6 Comments

  • Oi Giovana, que bacana que você tenha interesse em ajudar os refugiados. Fico feliz em saber que muita gente se preocupa com essa situação. Eu não conheço pessoalmente nenhuma ONG que trabalhe diretamente em campos de refugiados. Mas faz pouco li sobre este grupo que sei que faz vários trabalhos em Calais com refugiados http://theworldwidetribe.com/volunteer e dá uma olhada no projeto de uma jovem brasileira ¨Flores para os Refugiados¨, no Facebook. Ela já foi 2 vezes à Grécia e tem apenas 16 anos. Talvez você possa conseguir mais informações com ela. Também vi esta outro dia, talvez seja algo como o que você está procurando http://bbc.in/2e9P2Es. Boa sorte. Abraços.

  • Olá Lucila,tudo bom?
    Meu nome é Giovanna,estudo relações internacionais e acabo de fazer 18 anos.Como presente de aniversário pedi para os meus pais viajar para um campo de refugiados, pois já fiz alguns intercâmbios mas nenhum voltado para o voluntariado.
    Vi seu blog e me interessei muito pela parte de viajar e fazer voluntariado,mas não vi nada sobre refugiados, você por acaso sabe dessa logística ou de algum programa que ofereça isso? Pois já achei varios que oferecem o intercâmbio voluntário mas nenhum voltado para os refugiados (meu interesse específico neles é pelo fato de eu estudar muito eles e pelo o que passam). Caso vc saiba de alguma informação poderia me falar porfavor.
    PS:Adorei seu Blog, um belo trabalho. Atenciosamente Giovanna

  • Oi Elisa, que bom que você gostou. Eu adoro trabalho voluntário e sinto que compartilhando o que sei sou mais feliz. Um beijão!!

  • Obrigada a vocês, Mariano, por todo o trabalho que estão fazendo com as famílias sírias na Argentina. O mundo precisa de mais pessoas com essa garra, energia e amor pelo próximo!! Abraços.

  • Lucila, tu posteo es emotivo, potente, valioso
    Celebro compartir contigo RHA
    Es un orgullo tenerte con nosotros

    Mariano

  • Lucilitcha, adorei o texto! Adoro esse tema. E adorei saber do trabalho voluntário e das aulas de árabe – que começaram lá em Madridddd né? Ripa na xulipa, guria, e viva a solidariedade. beijo grande

Comments are closed.